América Latina enfrenta desafios crescentes por ondas de calor extremo ante possível retorno de El Niño
Temperaturas recorde no Paraguai
Asunción vem registrando temperaturas máximas cada vez mais elevadas nos últimos anos. Durante a intensa onda de calor de fevereiro de 2025, a capital paraguaia alcançou os 39,6 °C e superou um recorde que permanecia vigente desde 1969.
Outras localidades também marcaram registros históricos, entre elas General Bruguéz com 40,5 °C, Pilar com 40,2 °C e San Juan Bautista com 39,4 °C. Esses episódios ocorrem em um contexto de aquecimento global e enquanto organismos meteorológicos advertem sobre a possível chegada de um novo evento de El Niño nos próximos meses, fenômeno que costuma favorecer condições climáticas extremas na região.
Investigação de Oxford sobre vulnerabilidade urbana
Um recente estudo elaborado por pesquisadores da Universidade de Oxford adverte que várias cidades latino-americanas figuram entre as mais vulneráveis do planeta frente às ondas de calor, um risco que se vê amplificado por fatores sociais, econômicos e ambientais.
A investigação, publicada na revista científica Sustainable Cities and Society, analisou 205 cidades com mais de um milhão de habitantes e concluiu que mais de 95% das urbes com maior nível de risco encontram-se em países do chamado Sul Global. Os autores sustentam que avaliar unicamente a temperatura resulta insuficiente para compreender o verdadeiro impacto do calor extremo sobre a população.
Por esse motivo, o trabalho incorporou variáveis como a umidade, a idade dos habitantes, os índices de pobreza, a disponibilidade de áreas verdes e o custo da eletricidade. Segundo os pesquisadores, esses elementos determinam a capacidade de adaptação das comunidades frente a fenômenos que se tornam cada vez mais frequentes, prolongados e intensos.
O relatório alerta também que as ondas de calor já geram um aumento da mortalidade, danos em infraestruturas críticas e perdas econômicas significativas.
Cidades mais vulneráveis a nível global
A nível global, as cidades com maior risco identificadas pelo estudo são:
- Basora, no Iraque
- Ahmedabad, na Índia
- Bamako, no Mali
América Latina no mapa de risco
Na América Latina e no Caribe, a cidade colombiana de Barranquilla aparece como a mais exposta, situando-se no posto 11 da classificação mundial. Seguem-na em ordem de vulnerabilidade:
- Porto Príncipe (Haiti)
- Manaus (Brasil)
- Guayaquil (Equador)
- Goiânia (Brasil)
- Mérida (México)
- Lima (Peru)
- Cali (Colômbia)
- San Luis Potosí (México)
- Maracaibo (Venezuela)
Situação no Paraguai
Embora nenhuma cidade paraguaia figure entre as mais vulneráveis da listagem, os antecedentes recentes de temperaturas recorde em distintas zonas do país refletem uma tendência que preocupa especialistas. Diversos estudos científicos coincidem em que a mudança climática está intensificando as ondas de calor nas áreas urbanas, especialmente naquelas com escassa cobertura arbórea e alta concentração de população.
O aviso cobra especial relevância para o Paraguai, onde as altas temperaturas tornaram-se um fenômeno cada vez mais recorrente. A eventual consolidação de El Niño poderia adicionar novos desafios para a saúde pública, o fornecimento de energia e a economia do país.
Os especialistas coincidem na necessidade de implementar estratégias de adaptação que considerem não apenas fatores climáticos, mas também as condições socioeconômicas que determinam a vulnerabilidade das populações urbanas frente a fenômenos extremos cada vez mais frequentes.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.