Ambientalistas pedem rejeição a projeto de lei de exploração no Parque Médanos do Chaco
Um conflito ambiental se instala na Câmara de Deputados. A Coalição Pelos Bosques, um bloco que nuclea diversas organizações civis e redes ambientais, mediante um comunicado, manifestou sua rotunda rejeição ao projeto de lei que busca modificar a Lei nº 5723/2016, com o fim de permitir atividades de prospecção e exploração de hidrocarbonetos dentro do Parque Nacional Médanos do Chaco.
O projeto é impulsionado pelo deputado colorado cartista José Rodríguez Maciel, e é visto pelos ambientalistas como uma ameaça grave para um ecossistema de 605.000 hectares, que é único no país.
O texto do comunicado adverte que não apenas se coloca em risco a biodiversidade que é o lar de espécies como o yaguareté e o guanaco, mas também fontes de água estratégicas como o aquífero Yrenda e a nascente do rio Timane.
Para a coalizão, a aprovação desta lei significaria um perigoso precedente que vulnera o princípio de não regressão ambiental. Assinalam que a proposta contradiz o Acordo de Paris, o Marco Mundial de Biodiversidade Kunming-Montreal e mencionam que poderia truncar o avanço do tratado Mercosul-União Europeia, devido aos padrões ambientais exigidos pelo bloco europeu.
"A proposta carece de sustento econômico sólido. Após décadas de exploração, não há evidência de jazidas comerciais, por isso o risco socioambiental é desproporcional ante benefícios que são incertos", reza parte do documento.
Um dos pontos mais sensíveis assinalados é a falta de consulta e consentimento prévio, livre e informado com os povos Guaraní Ñandéva e Ayoreo. O comunicado sublinha que na zona habitam grupos ayoreo em isolamento voluntário, cuja integridade física depende estritamente da preservação total do parque.
A organização recordou que a Corte Suprema de Justiça já se posicionou em 2019 ao rejeitar uma ação contra a proteção do parque, determinando que o interesse geral e a proteção da vida devem prevalecer sobre interesses particulares de exploração.
Como alternativa, a Coalição solicitou à Câmara de Deputados a instalação de uma mesa técnica de trabalho para analisar evidências científicas e legais antes de avançar com qualquer modificação legislativa. Sob o lema #OsMédanosNãoSeTocam, o bloco cidadão busca frear o que consideram um retrocesso constitucional que comprometeria o futuro ambiental do Paraguai.
O projeto pretende a modificação dos artigos 4 e 6 da lei de criação do parque. No artigo 4º se incorpora a possibilidade de que o plano de manejo do parque contemple a autorização de ditas atividades, sob condições rigorosas de mitigação ambiental, planejamento territorial e delimitação de zonas específicas, incluindo áreas de amortecimento.
Assegura que se fortalece o papel do Ministério do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Mades) como autoridade de aplicação, garantindo que toda intervenção esteja sujeita a avaliação técnica, controle permanente e cumprimento de medidas orientadas a evitar, minimizar e, em seu caso, remediar os impactos ambientais.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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