Agroexportadores enfrentam depreciação do dólar e efeitos de El Niño
Desafios simultâneos no setor agroexportador
O setor de agroexportadores de cereais e oleaginosas do país enfrenta uma conjuntura complexa caracterizada por dois flancos simultâneos: a depreciação sustentada do dólar que se mantém abaixo de G. 6.000 e o fenômeno climático El Niño.
Hugo Pastore, diretor executivo da Câmara Paraguaia de Exportadores e Comercializadores de Cereais e Oleaginosas (Capeco), aponta que a contínua depreciação da moeda estadunidense afeta o setor agroexportador ao encarecer os custos operativos em moeda local e impacta na eficiência e competitividade. A isso se somam desafios por chuvas intensas relacionadas a El Niño e ao congestionamento em passagens fronteiriças em plena época de exportação para o Brasil.
Impacto da depreciação cambial
Pastore explicou que sendo um produto de exportação onde se recebem dólares, com uma moeda cada vez mais fraca se tem menos garantia para poder cobrir custos, mas em termos da exportação, está se perdendo eficiência e competitividade.
A queda constante da taxa de câmbio afeta múltiplos aspectos dos custos operativos, entre eles transporte, logística, frete e o pagamento de salários, serviços públicos e privados, bem como honorários de diversos contratistas.
O setor recebe as receitas em dólares, mas enfrenta custos operativos em guaraníes, gerando uma forte incerteza. Esta situação ocorre em pleno momento de desenvolvimento do cultivo, quando se tomam decisões-chave para a temporada.
Recomendações para estabilizar a tendência
Para atenuar a tendência à queda e dotar de maior previsibilidade, o titular da Capeco sugere ao Governo Nacional, conforme recomendações de economistas, frear as novas emissões de títulos em moeda nacional e analisar a brecha entre a taxa de juros de referência do Banco Central do Paraguai (BCP) e as taxas do mercado financeiro para colocação de empréstimos.
Pastore aponta que essas medidas poderiam contribuir para atenuar a tendência atual.
Efeitos do fenômeno El Niño
Em relação a El Niño, as precipitações se intensificaram a partir de outubro, acumulando volumes significativos no sul do país, particularmente em Itapúa.
Embora até o momento não se registrem danos concretos diretos nas culturas, o setor necessita de janelas de sol contínuas para a secagem dos campos e a aplicação oportuna de tratamentos fitossanitários.
Congestionamento em infraestrutura portuária
A safra de exportação para o mercado brasileiro experimenta um momento crítico que ultrapassa a capacidade de infraestrutura disponível. Essa situação gera longas filas de caminhões em rota e congestionamento nos recintos portuários, especialmente em dias de feriado.
Diante dessa conjuntura, Capeco mantém gestões coordenadas com autoridades nacionais e internacionais, incluindo a Administração Nacional de Navegação e Portos (ANNP), Alfândega, Senave, a Receita Federal e o Ministério da Agricultura do Brasil, para aplicar medidas extraordinárias de contingência como a habilitação de passagens em feriados e a habilitação da Ponte da Integração para a passagem dos grãos.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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