Acordo UE-Mercosul: Para o Paraguai, o momento de agir é agora
Com a implementação do acordo comercial em vigor desde maio, o país precisa se preparar para aproveitar oportunidades econômicas concretas
No início do ano, a União Europeia e o Mercosul assinaram em Assunção um dos acordos comerciais mais importantes da história recente. Poucos meses depois, em 1º de maio, o Acordo Interino de Comércio entrou em vigor. Uma façanha diplomática de 25 anos se tornou realidade, mas a assinatura foi apenas o começo. O verdadeiro jogo começa agora.
Para o Paraguai, as oportunidades são concretas e mensuráveis. Estudos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) indicam que o acordo pode incrementar em 1,1% o produto interno bruto (PIB) do país, aumentar em USD 88 milhões suas exportações em direção à União Europeia, reduzir o desemprego em 1,6 pontos porcentuais e contribuir para diminuir a pobreza em 3,5 pontos porcentuais. São cifras que falam de empresas que vendem mais, trabalhadores que têm melhores oportunidades e uma economia mais resistente ante os vaivéns globais.
Uma implementação efetiva do acordo permitirá ao Paraguai capitalizar essa oportunidade e transformá-la em uma maior integração com os mercados europeus, mais crescimento, mais emprego e maior bem-estar para os paraguaios.
A experiência internacional é elocuente: os países que mais se beneficiam dos acordos comerciais são aqueles que melhor se preparam para aproveitá-los. Países que assinaram acordos similares com a União Europeia viram multiplicar o investimento estrangeiro direto europeu em seus territórios. Esse salto, porém, foi resultado de reformas deliberadas, instituições preparadas e um setor privado que soube jogar no novo terreno.
Para isso, será fundamental que as empresas paraguaias contem com as ferramentas necessárias para acessar o mercado europeu, desde o conhecimento das regras comerciais e o cumprimento de padrões até sistemas de rastreabilidade e instituições capazes de acompanhar seu crescimento.
A agenda de implementação tem frentes concretos. O setor público deve identificar que leis e regulamentos devem ser atualizados para cumprir com os compromissos assumidos, fortalecer as instituições que administrarão o acordo e consolidar os mecanismos de coordenação interministerial para estar à altura dos desafios. As autoridades sanitárias e fitossanitárias, as alfândegas e os organismos de propriedade intelectual ou de compras públicas, entre outros, são atores centrais neste processo. Sua capacidade de resposta marcará a diferença.
O setor privado é o verdadeiro protagonista. As empresas paraguaias – em especial as pequenas e médias – precisam de informações claras sobre como acessar o mercado europeu, que certificações se requerem, como funciona a autocertificação de origem e o que significa o regulamento europeu sobre desflorestamento para as cadeias exportadoras de carne, soja, madeira e derivados. Exportar para a União Europeia requer adaptar-se às novas regras e procedimentos.
Uma vez que um acordo entra em vigor, muitas de suas disposições se tornam imediatamente vinculantes. Os prazos de desgravação tarifária começam a correr, assim como os compromissos regulatórios. Os países que já têm suas instituições prontas, suas empresas informadas e seus marcos normativos atualizados são os que capturam os benefícios desde o primeiro dia.
Desde o BID acompanhamos o Paraguai neste caminho com estudos de impacto, análise de brechas regulatórias, capacitação técnica e financiamento. Trabalhamos junto ao Governo para gerar a evidência que permita tomar decisões informadas. O conhecimento é o ponto de partida; o desafio agora é convertê-lo em ação concreta.
O acordo abre ao Paraguai uma janela histórica de acesso a um dos mercados mais grandes e exigentes do mundo. As condições para aproveitá-la plenamente estão por se construir. E construí-las requer decisão política, coordenação institucional e um setor privado que saia a jogar. A assinatura foi o ponto de partida. Os resultados dependerão da velocidade e qualidade da implementação.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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