A trampa de Tucídides: o conceito histórico que define a relação entre Estados Unidos e China
Um conceito histórico com relevância atual
A chamada "trampa de Tucídides" é utilizada por acadêmicos e analistas internacionais para descrever o risco de conflito que surge quando uma potência emergente ameaça com deslocar outra estabelecida. O termo provém das observações do historiador ateniense Tucídides, considerado o pai da "historiografia científica" e da escola do realismo político.
Faz quase 2.500 anos, em sua narração da Guerra do Peloponeso, Tucídides documentou como o ascenso da emergente Atenas e o temor que isso provocou em Esparta, a potência hegemônica do momento, desencadearam de forma inevitável uma guerra. Esta dinâmica histórica se tem repetido em diversos contextos ao longo dos séculos.
Aplicação no contexto China-Estados Unidos
Muitos observadores veem na China contemporânea o equivalente ao que foi Atenas na antiguidade, enquanto Estados Unidos representa o papel de Esparta como potência estabelecida que busca manter sua preponderância global. Tucídides se enfocou na inexorável tensão causada pela rápida mudança no balanço do poder entre duas potências rivais.
Nesse sentido, nunca houve antes uma mudança tão veloz e transcendental quanto o ascenso econômico, tecnológico e militar da China. Durante mais de uma década, essa expressão ganhou peso em universidades, centros de estudos estratégicos e círculos diplomáticos, especialmente à medida que o ascenso chinês está transformando o equilíbrio de poder mundial.
O contexto da reunião bilateral
Xi Jinping colocou essa questão durante sua reunião em Pequim com Trump no marco de uma cúpula bilateral marcada pelas disputas comerciais, a competência tecnológica e a crescente tensão em torno de Taiwan. O líder chinês questionou se Estados Unidos e China lograrão evitar o choque bélico que se tem produzido de forma reiterada na história quando uma potência emergente desafia a dominante.
Ambas as potências e seus aliados estão protagonizando crescentes atritos militares na Ásia-Pacífico e mantêm uma competência cada vez mais aberta pela influência global, o que faz que a evocação deste conceito histórico adquira especial relevância.
Precedentes históricos
Ao longo da história, os papéis de Atenas e Esparta foram interpretados por diferentes atores geopolíticos. Um exemplo notável é a Casa de Habsburgo, que desafiou a preeminência francesa na Europa na primeira metade do século XVI e que depois passou a ser o poder dominante retado pelo Império Otomano. Nesses casos, a rivalidade entre o poderoso e o recém-chegado culminou em conflitos bélicos.
A Primeira Guerra Mundial oferece outro caso de estudo: Reino Unido, apoiado por França e Rússia, atuou como Atenas, enquanto Alemanha assumiu o papel de Esparta. A dinâmica que produz esse duelo pelo poder pode explicar situações complexas como o assassinato de um arquiduque ser a faísca daquela catastrófica conflagração mundial.
É inevitável o conflito?
Embora em situações de alta tensão um conflito bélico seja altamente provável, não é inevitável. A história não está escrita de antemão, e a teoria de Tucídides nem sempre se cumpriu. De fato, costuma apresentar-se mais como uma advertência sobre os perigos da rivalidade entre grandes potências.
Os especialistas apontam que ter presente a trampa de Tucídides não necessariamente leva a uma perspectiva fatalista. Ao contrário, o valioso da história é que permite aprender de experiências prévias para evitar resultados destrutivos. A Segunda Guerra Mundial, por exemplo, deixou debilitadas todas as potências envolvidas, demonstrando os custos catastróficos de não encontrar soluções alternativas ao conflito armado.
Nesse sentido, o reconhecimento mútuo do risco e a aplicação de lições históricas podem contribuir a...
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.