A redução do dólar gera oportunidades de preços mais acessíveis para importados
A redução do dólar permite aos importadores adquirir mercadorias a custos menores e abre a possibilidade de que alguns produtos cheguem ao consumidor com preços mais baixos durante a temporada de fim de ano. Não obstante, o benefício apresenta limitações, já que o aumento dos custos de origem e dos fretes absorve parte dessa redução, enquanto a menor circulação de dinheiro e a retração do consumo geram preocupação no setor comercial.
Iván Dumot, presidente do Centro de Importadores do Paraguai (CIP), informou que a cotação da moeda estadunidense se ubica atualmente em torno a G. 5.800, abaixo das expectativas que apontavam para uma recuperação rumo a G. 6.000. Segundo indicou, essa variação representa uma redução adicional de entre 2% e 3%, que poderia favorecer aos produtos importados nos próximos meses, embora o repasse aos preços dependa de cada rubrica e das condições do mercado.
"Há uma margem remanente de 5, 6, 7% de benefício que pode se traduzir em média ao consumidor final", apontou Dumot. Esclareceu que a diminuição não se repassa integralmente aos preços, devido ao fato de que os fornecedores também ajustam seus valores e os custos logísticos continuam aumentando. Por isso, o impacto pode variar entre categorias, em algumas poderia atingir até 15%, enquanto que em outras seria menor.
Eletrônicos, brinquedos e produtos de bazar entre os mais favorecidos
Os artigos de eletrônica, brinquedos, produtos de bazar, alimentos e bebidas figuram entre as rubricas que poderiam refletir mais rapidamente o efeito da baixa do dólar, devido ao fato de que muitos importadores reforçam seus inventários para as festividades de fim de ano. Também poderiam se beneficiar produtos cujos preços se fixam habitualmente em dólares, como automóveis, celulares e computadores. Segundo Dumot, as mercadorias que ingressam em outubro começariam a se comercializar em novembro com custos de aquisição mais baixos, enquanto que outros produtos de consumo habitual poderiam demorar cerca de 30 dias em refletir a variação.
Falta de circulação de dinheiro
Apesar dessa oportunidade, o panorama comercial apresenta sinais de atenção. O titular do CIP afirmou que as vendas se desaceleraram durante agosto e setembro, com um comportamento estagnado e até mesmo retrocessos em alguns segmentos, uma tendência que também se observa em outubro. O endividamento com cartões de crédito e a perda de poder de compra dos consumidores incidem nesse cenário, moderando as expectativas que o setor tinha para a temporada de fim de ano.
Dumot advertiu que
"o efeito líquido para o país, já neste nível de taxa de câmbio de G. 5.700 ou G. 5.800, acreditamos que não é saudável". Explicou que, embora a baixa do dólar possa melhorar as condições de compra para os importadores, também reduz as receitas em guaranis de setores exportadores e produtivos, como o agro, a carne, a construção e a maquila. Essa situação pode diminuir a circulação de dinheiro e enfraquecer o consumo, razão pela qual considerou necessário contar com maior previsibilidade cambial para planejar as operações e as compras.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.