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Internacional

A rede clandestina que introduz tecnologia Starlink no Irã para driblar o bloqueio da internet

03/05/2026 17:15 3 min lectura 135 visualizações
La red clandestina que introduce tecnología Starlink en Irán para sortear el bloqueo de internet

"Se pelo menos mais uma pessoa conseguir acessar a internet, acredito que já é um sucesso e que valeu a pena", afirma Sahand.

Este iraniano, visivelmente nervoso, fala com a BBC de fora do Irã enquanto explica com cautela como faz parte de uma rede clandestina que introduz de contrabando tecnologia de internet por satélite, algo ilegal no Irã.

Sahand, cujo nome mudamos, teme por seus familiares e outros contatos dentro do país. "Se o regime iraniano me identificasse, poderiam fazer com que aqueles que estão em contato comigo no Irã paguem as consequências", afirma.

Há mais de dois meses, o Irã se encontra mergulhado na escuridão digital, já que o governo mantém um dos cortes de internet em nível nacional mais prolongados já registrados em todo o mundo.

O atual bloqueio começou depois que Estados Unidos e Israel lançaram ataques aéreos no último 28 de fevereiro. Antes disso, o acesso à internet havia sido restabelecido parcialmente durante apenas um mês após um corte anterior em janeiro, imposto durante uma sangrenta repressão do regime contra os protestos em nível nacional, que deixou mais de 6.500 manifestantes assassinados e 53.000 detidos, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (HRANA), com sede nos Estados Unidos.

As autoridades afirmam que o governo cortou a conexão à internet durante a guerra por razões de segurança, sugerindo que o objetivo é evitar a vigilância, o espionagem e os ciberataques.

Os dispositivos Starlink que Sahand envia ao Irã são uma das formas mais confiáveis de eludir o bloqueio. Estes terminais brancos e planos, combinados com roteadores, proporcionam acesso à internet ao se conectarem a uma rede de satélites propriedade da empresa SpaceX, de Elon Musk, o que permite aos usuários contornarem completamente a rede nacional de internet iraniana, submetida a um controle rigoroso.

Segundo Sahand, várias pessoas podem se conectar a cada terminal ao mesmo tempo.

O entrevistado afirma que ele e outros membros da rede os compram e "os introduzem de contrabando através das fronteiras" em uma "operação muito complexa", da qual se recusa a dar detalhes.

Sahand assegura que enviou uma dúzia de equipamentos ao Irã desde janeiro e que "estamos buscando ativamente mais formas de contrabandeá-los".

A organização de direitos humanos Witness estimou em janeiro que há pelo menos 50.000 terminais Starlink no Irã. Os ativistas afirmam que é provável que a cifra tenha aumentado. A BBC entrou em contato com a SpaceX para obter mais detalhes sobre o uso do Starlink no país, mas não recebeu resposta.

No ano passado, o governo iraniano aprovou uma lei que pune o uso, a compra ou a venda de dispositivos Starlink com penas de até dois anos de prisão. A pena de prisão por distribuir ou importar mais de 10 dispositivos pode chegar a até 10 anos.

Os meios de comunicação afins ao Estado informaram múltiplos casos de pessoas detidas por vender e comprar terminais Starlink, entre elas quatro pessoas —duas delas de nacionalidade estrangeira— detidas no mês passado por "importar equipamentos de internet por satélite".

Também foi informado que algumas das detenções estão relacionadas com acusações de posse de armas ilegais e de envio de informações ao inimigo.

No entanto, continua existindo um mercado para estes terminais no Irã, entre outros através de um canal do Telegram em persa chamado Nas...

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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