A queda do dólar não alivia preços para os consumidores no Paraguai
A moeda americana cotou-se na quinta-feira 30 de abril em 5.977 guaranis, segundo dados do Banco Central do Paraguai (BCP).
Isso representou o menor nível desde 2019 e contrasta com as cifras de abril de 2025, quando o dólar superou a barreira dos 8.000 guaranis.
Por sua vez, a moeda local -o guarani -que este ano completará 83 anos- apreciou-se 21% interanualmente no fechamento de abril passado.
O integrante da diretoria do BCP, Miguel Mora, chamou a atenção sobre o efeito 'assimétrico' da taxa de câmbio sobre os preços, em particular dos alimentos, em um país onde 30% da cesta do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) está conformada por produtos importados.
Quando cai o dólar, 'o efeito repasse da taxa de câmbio aos preços internos é muito baixo no Paraguai', explicou o especialista, que cifrou em 0,13% o recente impacto deste fenômeno nos custos.
Segundo indicou, os preços não dependem apenas da taxa de câmbio, mas de custos logísticos, seguros, transporte, entre outros.
Não ocorre o mesmo em um cenário no qual sobe o dólar, já que, apontou, o custo dos produtos vai na mesma direção.
Em todo caso, destacou que a inflação mantém-se baixa, quando a meta para 2026 é de 3,5%. Em março, o custo de vida mensal foi de 0,8%, o acumulado somou 1,4% e o interanual situou-se em 1,9%.
Por sua vez, o economista-chefe do Centro de Estudos Econômicos da União Industrial Paraguaia (UIP), José Fernández, indicou que o dólar não tem 'um impacto nos preços da cesta', especialmente na carne bovina, cujo encarecimento interno atribuiu às maiores exportações.
Fernández também apontou que sob a Administração do presidente argentino, Javier Milei, 'reduziu-se drasticamente o contrabando', que permitia adquirir alimentos, bebidas e outros produtos argentinos a 60% menos do custo local.
'Assim que ingressa esta mudança política na Argentina, crescem também as compras formais no Paraguai e isso dispara o comércio, a arrecadação e os canais formais', analisou.
Por outro lado, o 'dólar fraco', segundo o funcionário do BCP, impulsionou a cotação do guarani.
A moeda paraguaia -assegurou- beneficiou-se igualmente da 'muito boa dinâmica' das exportações e do 'ingresso muito importante' de divisas ante o aumento do investimento estrangeiro.
Este fato permitiu acessar insumos importados mais baratos, mas ao mesmo tempo prejudicou o fisco que recebe menos ingressos tributários produto das exportações, assinalou o especialista.
Para enfrentar a menor arrecadação tributária e o descenso dos ingressos procedentes das represas binacionais de Itaipú e Yacyretá por conta do barateamento do dólar, o Governo paraguaio anunciou em março passado um plano de 'economia de guerra' em matéria fiscal, expresso principalmente em um corte dos gastos oficiais.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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