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Tecnologia

A música paraguaia e o avanço da IA

Produtores, compositores e artistas incorporam ferramentas de inteligência artificial nos processos criativos enquanto cresce o debate sobre direitos autorais

20/07/2026 04:45 4 min lectura 39 visualizações

Há apenas alguns anos, criar uma canção requeria horas de composição, ensaio, gravação e produção. Hoje, basta escrever algumas poucas palavras em uma plataforma de inteligência artificial para obter uma melodia, uma letra e até mesmo uma voz capaz de interpretar o resultado em questão de segundos.

O fenômeno da revolução tecnológica já chegou à indústria musical paraguaia. Produtores, compositores e artistas começam a incorporar ferramentas baseadas em inteligência artificial em seus processos criativos, enquanto o debate sobre seus limites, os direitos de autor e o futuro da criação artística ganha cada vez mais força.

Última Hora conversou com o produtor musical Óscar Sanabria, o presidente da Associação Paraguaia de Autores (APA), David Portillo, e o cantor de Tierra Adentro, Dani Meza, que analisaram como essa tecnologia está transformando uma indústria onde a criatividade sempre foi patrimônio exclusivamente humano.

Para Óscar Sanabria, a inteligência artificial deixou de ser uma promessa para se tornar uma ferramenta cotidiana dentro dos estúdios de gravação.

"A IA já está inserida no estúdio como um instrumento a mais. Hoje pode limpar pistas, afinar vozes, sugerir acordes ou até mesmo gerar arranjos completos em segundos. Isso acelera processos que antes levavam horas e permite que os produtores nos concentremos mais na parte artística do que na técnica. Em vez de substituir, amplia as possibilidades criativas", explica.

O produtor considera que as plataformas capazes de criar canções completas representam uma oportunidade para experimentar, embora também coloquem novos desafios para quem vive da produção musical.

"Democratizam a criação porque qualquer um pode desenvolver uma ideia rapidamente, mas também são concorrência. A diferença continua estando no critério humano, na emoção e na experiência do produtor. Isso ainda não pode replicar uma máquina", sustenta.

Nessa mesma linha, Dani Meza garante que a tecnologia pode acelerar processos, mas não substitui a origem de uma obra.

"As experiências pessoais geram emoções e as emoções geram inspiração. A inteligência artificial constrói ideias a partir de um comando, mas sempre existe uma intervenção humana para obter um resultado", afirma.

O líder de Tierra Adentro reconhece que utiliza essas ferramentas, embora apenas como apoio.

"Meu processo criativo para compor é cem por cento humano. Utilizo inteligência artificial para gerar maquetes e economizar tempo. Depois finalizo toda a produção no estúdio com instrumentos reais", comenta.

Se do ponto de vista criativo o panorama gera opiniões divididas, na esfera jurídica as preocupações são ainda maiores.

David Portillo, presidente da Associação Paraguaia de Autores (APA), adverte que o principal problema é pensar que a inteligência artificial cria do zero.

"A IA não cria canções. Gera um produto a partir de dados tomados de obras originais realizadas por pessoas. Alimenta-se de canções protegidas pelo direito de autor e depois produz um novo conteúdo seguindo instruções. Aí começa o grande desafio", aponta.

Segundo explica, o avanço tecnológico ainda não encontra uma legislação capaz de responder perguntas fundamentais.

"Quem é o autor de uma obra gerada por IA? O que acontece quando se clona a voz de um artista sem autorização? O que ocorre quando um sistema foi treinado utilizando milhares de canções protegidas? São questões que ainda precisam de respostas claras", sustenta.

Portillo lembra que APA participa ativamente em debates internacionais sobre essa problemática e acompanha de perto processos judiciais que poderiam marcar um precedente.

"Estamos atentos ao caso entre a sociedade alemã GEMA e a plataforma Suno. O que se discute não é apenas questões de copyright, mas também como regulamentar uma tecnologia que avança mais rápido que as próprias leis", conclui.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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