A indústria paga mais para garantir gado em um mercado de oferta limitada
O mercado de gado gordo para exportação continua apresentando um cenário de firmeza, com preços base que permanecem sem alterações, embora a realidade dos negócios concretizados reflita uma tendência claramente altista.
A escassa disponibilidade de animais terminados está obrigando a indústria frigorífica a competir com maior intensidade pela oferta, impulsionando valores superiores às referências oficiais.
De acordo com o levantamento de Valor Agro, as plantas mantêm como referência um valor base de US$ 5,00 por quilo carcaça para machos e novilhas, enquanto que as vacas cotizam em US$ 4,80 por quilo carcaça. Contudo, esses valores representam cada vez menos a média das operações efetivamente fechadas, já que a necessidade de garantir matéria-prima leva as indústrias a melhorar suas propostas comerciais.
Nesse contexto, é habitual encontrar bonificações de 3% para gado de pasto e de 5% para animais provenientes de confinamento, enquanto que também se confirmaram operações pontuais de machos de corral no entorno de US$ 5,40 por quilo carcaça, refletindo uma correção altista que já se observa em boa parte dos negócios do mercado.
A oferta continua sendo limitada por uma combinação de fatores. As chuvas recentes complicaram a transitabilidade das estradas e atrasaram a saída de animais, ao tempo que as boas condições forrajeiras permitem aos produtores sustentar o gado nos campos sem necessidade de vender de forma antecipada.
Esse cenário fortalece a posição negociadora do produtor, que espera melhores valores antes de se desfazer de seus animais.
Para a indústria, em contrapartida, o panorama gera preocupação. Os frigoríficos não conseguiram consolidar as intenções de ajustar à baixa os preços e hoje enfrentam uma competição crescente por uma oferta insuficiente. A isso se soma o marcado encurtamento das escalas de abate, com plantas que já programam ingressos inclusive em menos de uma semana, um sinal da necessidade de garantir matéria-prima para manter o ritmo de atividade.
Tudo isso ocorre em um contexto internacional mais exigente, onde o Brasil exerce pressão comercial em mercados estratégicos como Chile e Estados Unidos, reduzindo a margem de manobra das plantas exportadoras paraguaias.
Apesar dessa conjuntura externa, a escassez de gado continua sendo o principal fator que determina o comportamento do mercado interno. Inclusive, operadores do setor consideram que a incorporação gradual de novos atores industriais poderia intensificar ainda mais a competição pela matéria-prima, gerando um novo impulso nos valores do gado gordo durante as próximas semanas.
Enquanto a oferta seguir sendo limitada e as escalas continuarem ajustadas, o mercado manterá uma dinâmica favorável para os produtores, com dificuldades para que a indústria possa conter a tendência altista dos preços.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.
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