"A ferramenta é o Brahman", destacou Udagawa frente aos desafios produtivos da pecuária
A busca por maior eficiência, adaptação e produtividade está colocando novamente as raças cebuínas em posição estratégica na pecuária paraguaia. Para Yunzo Udagawa, presidente da Associação Paraguaia de Criadores de Brahman, a raça tem muito a contribuir em sistemas que precisam produzir terneiros e quilos de carne sob condições climáticas e sanitárias cada vez mais desafiadoras.
Os últimos anos colocaram à prova os sistemas pecuários paraguaios com períodos prolongados de déficit hídrico, altas temperaturas e maiores exigências produtivas. Nesse cenário, Udagawa considera que as características de adaptação e rusticidade do Brahman permitem sustentar a produção mesmo em ambientes complexos.
"Essas adversidades climáticas fazem com que se destaque a raça Brahman e, por que não, tudo o que tem a ver com sangue cebú e cruzamentos com cebú", apontou.
Conforme seu critério, o próximo desafio não passa somente por produzir animais adaptados, mas por acompanhar essa capacidade produtiva com uma evolução permanente da qualidade de carne.
Udagawa reconheceu que durante muito tempo existiu uma percepção negativa sobre a carne proveniente de animais cebuínos, mas assegurou que os trabalhos realizados pela associação buscam demonstrar que existe capacidade para alcançar padrões competitivos.
Por meio do protocolo de abate desenvolvido junto com Frigorífico Neuland e o programa Brahman Beef, explicou que se vem trabalhando para avaliar objetivamente as características de carcaça e carne.
"Não temos uma carne melhor que as demais, mas as demais tampouco são melhores que as nossas. Estamos equiparados", afirmou.
A partir dessa base, sustentou que o desafio deve ser conjunto para toda a pecuária paraguaia: continuar investindo em genética, informação e seleção para melhorar os parâmetros produtivos e acessar mercados de maior valor.
Udagawa lembrou que o crescimento da qualidade da carne paraguaia durante as últimas décadas esteve diretamente relacionado com o investimento genético realizado por criadores e produtores.
"Nos últimos 40 ou 45 anos o avanço genético fez com que a carne paraguaia se posicione no lugar onde está hoje", expressou.E acrescentou que novas ferramentas, como os marcadores genéticos e a genômica, poderiam acelerar consideravelmente os processos de seleção durante os próximos anos.
Carrapato: a genética ganha protagonismo
Outro dos pontos que começa a fortalecer o interesse pelo Brahman está relacionado com um dos principais desafios sanitários da pecuária regional: o carrapato.
Udagawa advertiu que a resistência dos ectoparasitas a determinados princípios ativos está aumentando e que as ferramentas químicas nem sempre evoluem no mesmo ritmo que o problema.
"Os medicamentos com que se sanitizava o gado cada vez têm mais resistência. A tecnologia não avança do mesmo jeito que o problema cresce", assinalou o presidente da associação.
Nesse contexto, considerou que a genética do Brahman oferece uma alternativa adicional para enfrentar esse desafio. A rusticidade e a capacidade de resistência natural da raça ganham relevância como ferramentas complementares aos sistemas sanitários tradicionais.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.
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