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Economia

A dívida com fornecedores afeta as classificações de crédito internacionais

26/07/2026 14:00 3 min lectura 40 visualizações

As avaliações da classificação creditícia vão além da avaliação da capacidade de pagamento do Estado de suas dívidas geradas por títulos ou outros instrumentos.

Conforme apontaram analistas econômicos e relatórios recentes, o atual desafio de política fiscal é a fraqueza na administração interna das finanças públicas. A persistência de atrasos nos pagamentos a fornecedores do setor privado – especialmente em rubros chaves como a construção pública e os insumos farmacêuticos – é o reflexo de falhas graves no ciclo orçamentário e na programação de caixa.

Apesar do importante desempenho econômico agregado evidenciado no crescimento do produto interno bruto (PIB), a gestão orçamentária apresenta desconexões entre a execução do gasto e o desembolso de recursos.

Os atrasos fiscais com fornecedores privados – estimados por organismos internacionais e pelo Ministério da Economia e Finanças em torno de 2,1% do PIB – expõem um grave problema de gestão.

A estimativa do déficit público informada pelo Ministério da Economia e Finanças (MEF) em 2025 foi subestimada ao não incorporar os compromissos assumidos pelo setor público ao adquirir bens e serviços sem cumprir com a obrigação financeira legal e economicamente contraída.

Sob uma perspectiva ética, alguns economistas e analistas apontaram que inclusive resultou enganosa, o que enfraquece o propósito normativo da regra fiscal e prejudica a credibilidade da política econômica.

A acumulação de atrasos evidencia que a programação orçamentária não está alinhada com os fluxos reais de receitas.

As agências de classificação avaliam também a governança e a capacidade institucional do Estado. O alerta dos relatórios aponta que se o Paraguai não conseguir resolver a desordem fiscal e institucional, a nota creditícia sofrerá pressões para baixo ou estagnar-se-á.

O avanço do Paraguai em direção ao grau de investimento foi produto de duas décadas de estabilidade macroeconômica. Não obstante, o sucesso passado não garante a sustentabilidade futura. A presença de atrasos no pagamento a fornecedores revela que o atual problema da estabilidade paraguaia é a gestão institucional do gasto público.

Para proteger a classificação soberana e para que os benefícios do grau de investimento se traduzam em menores taxas de juros e maior atração de capital produtivo, o Estado paraguaio deve tornar transparentes seus compromissos, alinhar o planejamento orçamentário com as receitas efetivas e erradicar a acumulação sistemática de dívidas com o setor privado. Apenas assim a estabilidade macroeconômica se traduzirá em uma fortaleza institucional sólida e duradoura.

A avaliação do Fundo Monetário Internacional do mês passado também abordou o tema e incluiu recomendações entre as quais se encontra o adequado registro e apresentação das dívidas nas estatísticas fiscais. Para evitar que voltem a ocorrer atrasos, é necessário um melhor alinhamento entre o orçamento e o planejamento financeiro e de caixa, além de reforçar a supervisão e os controles do gasto. Isto inclui a implementação plena do Sistema Integrado de Gestão de Bens e Serviços (SIGEBYS) do Ministério da Economia e Finanças e avançar com sua interoperabilidade com os sistemas de planejamento e controle do gasto dos distintos ministérios competentes.

É urgente que o MEF assuma com responsabilidade estes desafios.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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