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Economia

A demanda dos Estados Unidos e Israel sustenta um cenário favorável para a carne do Mercosul

03/08/2026 09:45 3 min lectura 30 visualizações

A reconfiguração do comércio mundial de carne bovina continua gerando oportunidades para os países exportadores do Mercosul. Para o consultor pecuário Víctor Tonelli, o crescimento da demanda dos Estados Unidos, a firmeza de Israel, o fortalecimento da Europa e a abertura de novos destinos na Ásia configuram um cenário amplamente favorável para a região.

Durante uma entrevista com Valor Agro Argentina, Tonelli explicou que o maior protagonismo dos Estados Unidos nas importações não implica uma perda de relevância da China, mas sim uma diversificação dos destinos de exportação. "China continua sendo o principal comprador, mas Estados Unidos passou de representar menos de 10% para cerca de 20% das exportações. Esses pontos saíram de outros mercados, principalmente da China", apontou.

O analista sustentou que, junto à China e aos Estados Unidos, Europa e Israel mantêm uma demanda muito sólida, enquanto o sudeste asiático aparece como a grande aposta de crescimento para os próximos anos. Nesse sentido, destacou as oportunidades que representam Indonésia e a futura abertura do Japão, mercados que contribuirão para ampliar a diversificação das exportações de carne do Mercosul.

"O sudeste asiático é o mercado a atender, sem dúvida alguma. China e Estados Unidos continuarão sendo os principais importadores do mundo, mas a diversificação será muito bem-vinda", afirmou.

Um dos fatores que mais favorece o mercado internacional é a situação produtiva dos Estados Unidos. Tonelli explicou que a redução do rebanho bovino se combina com um forte incremento do consumo interno, o que obriga o país norte-americano a aumentar significativamente suas importações.

"Estados Unidos tem um problema estrutural de queda do estoque, mas além disso teve uma explosão da demanda. Essa demanda está disposta a pagar valores que são impensáveis para o resto do mundo", sustentou.

Como referência, indicou que o novilho norte-americano supera atualmente os US$ 8 por quilo carcaça, uma diferença considerável em relação aos valores registrados no Mercosul. Essa diferença continua incentivando as compras externas e sustenta um mercado muito dinâmico para os países exportadores.

De cara aos próximos meses, Tonelli também alertou que a redistribuição da oferta entre os principais exportadores continuará modificando os fluxos comerciais. Mencionou que Brasil e Austrália continuam ajustando sua estratégia comercial conforme as oportunidades oferecidas pelos distintos mercados, em um contexto de alta competição internacional.

"Estão acontecendo coisas incríveis. Hoje o mercado absorve toda a oferta disponível e isso vai durar muito tempo. Os planetas estão alinhados para os exportadores", concluiu.

Para o analista, enquanto a demanda internacional continuar firme e a oferta seguir limitada nos principais países produtores, o negócio da exportação de carne permanecerá atrativo.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.

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