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Paraguai

"A avaliação europeia sobre a soja não refletia a realidade do Paraguai", disse ex-ministro

20/07/2026 12:45 3 min lectura 18 visualizações

O setor agropecuário nacional e regional celebra a medida do Parlamento Europeu que freou a classificação da soja como matéria-prima de alto risco ambiental, destacando que a regulamentação conhecida pelas siglas em inglês (ILUC), não contemplava as realidades produtivas nem os avanços em sustentabilidade alcançados pelo país.

Assim o sustentou o ex-ministro de Agricultura e Pecuária, Santiago Bertoni, ao recordar que uma das principais preocupações do setor era que a soja fosse avaliada como uma matéria-prima global, sem diferenciar o desempenho ambiental de cada país ou região.

"Sempre nos preocupou o fato de que classificavam a soja como matéria-prima global sem levar em conta as realidades de produção e os esforços que cada país faz em relação à sustentabilidade. No Paraguai a soja está desacoplada do desmatamento há mais de 20 anos e isso se pode demonstrar sobrepondo os mapas de desmatamento com os de expansão do cultivo", afirmou.

O ex-ministro destacou que, após a implementação das normativas de proteção das florestas na Região Oriental, a expansão do cultivo de soja deixou de estar vinculada a processos de desmatamento, um aspecto que, a seu critério, não era reconhecido pela regulamentação europeia.

A crise energética europeia

Consultado sobre as razões que levaram a Comissão Europeia a frear a normativa, Bertoni apontou que o contexto energético que atravessa a Europa teve um peso determinante.

Explicou que a estratégia europeia de mudar sua matriz energética (dependendo em maior medida do gás natural russo), ficou debilitada após a guerra entre Rússia e Ucrânia, o que elevou significativamente os custos.

Nesse cenário, sustentou que o óleo de soja se converteu em uma matéria-prima estratégica para sustentar a expansão dos biocombustíveis.

"A indústria europeia está consciente de que tirar a soja implicaria enormes sobrecustos. Por isso considero que essas pressões contribuíram para que finalmente o óleo de soja fosse excluído do risco ILUC", opinou.

Uma regulamentação que mede com a mesma régua

Bertoni também questionou que a regulamentação europeia se baseia em indicadores gerais sem considerar a situação particular de cada país produtor.

Segundo explicou, essa metodologia teria obrigado o Paraguai a implementar complexos sistemas de rastreabilidade e maiores exigências administrativas para demonstrar que sua produção não está associada ao desmatamento, apesar dos avanços já alcançados em matéria ambiental.

Advertiu que esses novos requisitos não apenas incrementariam os custos para toda a cadeia produtiva, mas que afetariam especialmente aos pequenos produtores.

Para o ex-ministro, o reconhecimento das diferenças entre os países produtores constitui um passo importante rumo a regulações mais equilibradas, que contemplem tanto os objetivos ambientais quanto a realidade dos sistemas produtivos e o esforço realizado por nações como o Paraguai em matéria de sustentabilidade.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.

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