Quinta, 15 de Outubro de 2026
ÚLTIMA HORA
Bem-vindo ao ParaguaiNews — as notícias do Paraguai agora em português Bem-vindo ao ParaguaiNews — as notícias do Paraguai agora em português
Paraguai

A arte de punir o cidadão em Asunção

15/10/2026 07:45 4 min lectura 18 visualizações

O que para um reduzido grupo de participantes significou uma jornada festiva, para dezenas de milhares de asuncenos e trabalhadores da região metropolitana se traduziu em um verdadeiro pesadelo sobre rodas, presos durante horas em engarrafamentos quilométricos sem a mais mínima alternativa de desvio fluido.

O problema de fundo não é a promoção do esporte nem o uso do espaço público para atividades culturais, mas a teimosia sistemática dos organizadores e das dependências municipais em trasladar esses eventos para as artérias mais colapsadas da capital. A Costanera, concebida como a principal via de alívio para o sufocante trânsito de entrada e saída da cidade, foi anulada por completo sem previsão nem critério técnico. Este episódio não faz mais que evidenciar a alarmante inoperância das autoridades locais e sua absoluta incapacidade de projetar ações minimamente coordenadas. Evidencia que existe uma enorme despreocupação com o que acontece ao cidadão.

Punir o cidadão parece uma regra quando se trata das autoridades. A este calvário viário se soma a frente aberta no próprio coração do centro histórico com as obras postergadas de soterramento de cabos. O que deveria ter sido um projeto modelo de modernização urbana se transformou em um calvário cotidiano para quem tenta caminhar pelo centro. As ruas e avenidas parecem sepultadas sob camadas de areia e escombros, transformando o trânsito a pé em uma carreira de obstáculos digna de esquecimento.

A falta de coordenação interinstitucional salta à vista em cada esquina. Enquanto a Administração Nacional de Eletricidade (ANDE), o Ministério de Obras Públicas e Comunicações (MOPC) e a Municipalidade de Asunção avançam – cada qual por seu lado e em ritmos descoordinados –, o cidadão comum paga o preço. À medida que as equipes concluem a fiação e repõem as calçadas, a decepção é unânime: o acabado reflete uma péssima qualidade dos materiais utilizados para as calçadas, com lajotas desalinhadas, remendos irregulares e tampas de registros instáveis que representam um perigo latente para os transeuntes.

O mais revoltante deste cenário é a enorme oportunidade perdida. Já que se estava realizando uma intervenção profunda e custosa na infraestrutura central, existia o momento histórico ideal para unificar o design, a altura e a acessibilidade das calçadas asuncenas, historicamente caóticas e fragmentadas. Bastava uma mesa de trabalho conjunta entre a ANDE, o MOPC e a Municipalidade para coordenar um critério urbanístico uniforme, inclusivo e duradouro.

Porém, triunfou mais uma vez a visão de curtíssimo prazo e a negligência burocrática. Asunção continua acumulando cicatrizes de má qualidade técnica, enquanto seus habitantes sofrem o castigo diário da improvisação no trânsito e do desamparo nas ruas. Se as autoridades não assumirem com rigor a responsabilidade de planejar a convivência urbana, a capital continuará se afundando no colapso permanente.

Asunção continua sendo uma cidade abandonada à sua própria sorte e segue sofrendo as consequências da improvisação. Centenas de milhares de trabalhadores provenientes dos municípios vizinhos chegam diariamente à capital para movimentar a economia, sustentar o comércio e dinamizar os serviços, sofrendo na pele privações cotidianas que vão desde o péssimo estado do transporte público até artérias intransitáveis e desprovidas de mínima infraestrutura. Resulta irônico – e extremamente inadequado – que, em lugar de oferecer soluções estruturais e integrar de maneira eficiente toda a massa produtiva da área metropolitana, surjam vozes da gestão municipal que propõem cobrar pedágio a quem não reside na capital.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.

Comentários (0)

Entre con Google para comentar.