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Política

A ANR não pode ser governo e ser oposição ao mesmo tempo

13/09/2026 13:45 4 min lectura 196 visualizações

A este pedido de informe se somaram várias declarações dos citados cartistas e outros lançando questionamentos à gestão de Peña, sobretudo diante da crise que o enfrentou com o sindicato de médicos, conflito ainda latente.

Todo esse jogo de separar o papel de Cartes do de Peña diante da situação do país, que teve como cereja o discurso do próprio titular do Partido Colorado, onde instou o mandatário a solucionar a crise de saúde, é analisado pelo politólogo e pesquisador Guzmán Ibarra.

Este considera que o Partido Colorado não pode jogar de oficialismo e de oposição ao mesmo tempo, muito menos o cartismo, por isso não é uma análise correta entendê-lo assim, mas como uma dinâmica própria do coloradismo que fala mais do seu próprio internismo.

"O Partido Colorado se caracteriza por uma dinâmica muito facciosa. Muitas vezes essa disputa interna termina se trasladando ao sistema político, mas há um erro conceitual bastante corrente, que é pensar que por essa facciosidade a ANR pode ser governo e oposição ao mesmo tempo. Não é assim. A ANR é governo e, dentro dela, existem facções que competem entre si", indicou.

Ibarra considera que as críticas ou posicionamentos da parte do oficialismo contra Peña são conflitos menores que não refletem realmente uma disputa entre duas facções diferentes do próprio cartismo.

"O que estamos vendo agora, na melhor das hipóteses, é no máximo escaramuça intrafacção oficialista. E tampouco me parece, por enquanto, uma disputa substantiva. Falar de um 'peñismo', por exemplo, me parece uma exageração. Não há uma estrutura política autônoma ao redor do presidente, uma bancada própria ou uma liderança que esteja realmente desafiando o centro de poder do cartismo", manifestou.

O especialista vê claramente como sólida a liderança de Cartes no movimento Honor Colorado e a linha de seus legisladores e dirigentes, assim como o papel de Peña em uma segunda linha de comando.

"A estrutura do oficialismo segue sendo bastante clara. Há um presidente que administra, uma facção que governa e um líder que manda. Esse líder está na condução da ANR. O presidente tem margens para administrar, mas depende politicamente da facção e, em última instância, do líder. Por isso, as declarações de alguns componentes eu mais as leria como movimentos internos de 'diferenciação' do que como uma verdadeira oposição", interpretou o profissional especializado na análise do sistema político, dos partidos políticos e da democracia no país.

Ibarra deduz que a verdadeira intenção dessa operação do cartismo é blindar o titular da Associação Nacional Republicana (ANR), Horacio Cartes, do custo político que está desgastando o presidente da República, Santiago Peña.

O politólogo considera que essa busca de desgrudar Peña de Cartes é um esforço estratégico, mas que o titular partidário não pode fugir da responsabilidade política que tem com o atual Governo.

"O objetivo por trás desses movimentos é que buscam carregar sobre o presidente os custos do Governo e, ao mesmo tempo, preservar certa distância de Cartes em relação a esses custos, mas essa distância tem um limite muito claro. HC pode tentar se desgrudar de determinados erros do governo, mas dificilmente pode se desgrudar de sua responsabilidade política. É ele quem conduz a facção que sustenta o presidente, controla a maioria parlamentar e ordena o oficialismo. O Governo se sustenta porque ele o sustenta", concluiu Ibarra a respeito do atual internismo oficialista.

"HC pode tentar se desgrudar de erros de Peña, mas dificilmente pode se desgrudar de sua responsabilidade política".

"HC conduz a facção que sustenta o presidente... O Governo se sustenta porque ele o sustenta". Guzmán Ibarra, politólogo.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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