A ANDE não pode ser "obrigada" a subsidiar indústrias, afirma especialista
A delicada situação financeira da Administração Nacional de Electricidade (ANDE) e as pressões políticas para que a estatal conceda benefícios tarifários a investidores estrangeiros continua gerando reações. O ex-diretor da Entidade Binacional Yacyretá (EBY), Ángel María Recalde, afirmou que não tem conhecimento das pressões, mas lembrou que a instituição elétrica não possui obrigação nem capacidade legal nem financeira para ceder diante de exigências que comprometam sua carta orgânica.
Sobre a possível pressão que exercem setores sindicais e o Executivo para alcançar acordos tarifários, Recalde sustentou que é compreensível colocar uma carga pesada sobre a empresa, mas sublinhou que existem limites intransponíveis para a presidência da estatal. O ex-funcionário advertiu que o titular da ANDE, como máxima autoridade, não pode ser compelido a ignorar o marco legal que rege a entidade. "Se esse acordo o leva a ir contra sua Carta Orgânica, que é a Lei 966/64, isso evidentemente será responsabilidade do presidente da ANDE", disse ao ÚH.
O engenheiro Recalde enfatizou que se existisse uma vontade política de otorgar condições especiais, o caminho não pode ser a imposição administrativa, mas a criação de um marco normativo claro, coincidindo com as declarações públicas do engenheiro Fabián Cáceres, ex-gerente técnico da ANDE.
O ex-funcionário da EBY afirmou que se se busca uma exoneração ou um subsídio da tarifa, isso teria que ser aprovado por lei, pois caso contrário estaria infringindo a normativa vigente. Insistiu que se não se quer violar a Carta Orgânica, que é uma lei, teria que existir alguma autorização por outra lei, ou seja, que de alguma forma proteja essa decisão que as autoridades da empresa estatal vão tomar.
Além do aspecto jurídico, o ex-diretor de Yacyretá fez alusão à insustentabilidade de congelar tarifas a longo prazo, uma estratégia que considera um erro técnico e econômico diante da realidade do setor. Ante a possibilidade de convênios a 10 ou 15 anos com preços fixos, Recalde sentenciou que "isso é um absurdo". O especialista argumentou que o custo médio de geração futura será superior ao atual e lembrou que para garantir energia firme e evitar a intermitência se requer investimentos adicionais em infraestrutura como baterias, o que elevaria os custos a valores muito maiores.
O senador Rafael Filizzola questionou o Governo por não adotar medidas que priorizem o fortalecimento da Administração Nacional de Electricidade (ANDE). Afirmou que os decretos 5306, 5307, 5860 e 5861 (emitidos entre janeiro e abril), que otorgavam tarifas elétricas preferenciais e subsídios a indústrias eletointensivas e inteligência artificial foram parte de uma política que enfraquece a estatal.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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