3 exemplos que evidenciam como Delcy Rodríguez está desmantelando na Venezuela o modelo econômico chavista
"O capitalismo é a causa, a verdadeira causa da miséria, da desigualdade e da exclusão (...) O supremo mandato de Cristo Redentor só será possível quando reinar o socialismo nestas terras e nestes mundos".
Duas décadas depois que o falecido Hugo Chávez pronunciasse estas palavras, o chamado socialismo do século XXI que impulsionou na Venezuela está mais em xeque do que nunca.
Desde a inédita operação militar que os Estados Unidos lançaram contra o país sul-americano no passado 3 de janeiro — e que terminou com a captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores — o modelo econômico que o desaparecido líder da revolução bolivariana defendeu experimentou uma acelerada metamorfose, impulsionada por apressadas reformas legais aprovadas pelo Parlamento controlado pelo chavismo e por outras medidas de caráter executivo.
A seguir, apresentamos três exemplos que evidenciam como a economia venezuelana parece estar deixando para trás uma longa etapa em que o Estado foi seu principal ator.
1. A renegociação da dívida externa e o retorno ao FMI
No passado 13 de maio, o governo interino venezuelano anunciou o início de um processo "integral e ordenado" de reestruturação de sua dívida pública externa e da estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA).
O objetivo da medida é "liberar o país da carga da dívida acumulada" e, para isto, as autoridades esperam renegociar com seus credores os prazos para pagar os créditos não pagos desde 2017 e conseguir condonações.
A notícia se conheceu menos de um mês depois que o governo de Rodríguez anunciasse o restabelecimento de suas relações com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, organismos aos quais os líderes chavistas haviam denunciado insistentemente ao longo dos anos.
"O FMI deveria suicidar-se. Não me refiro aos senhores que o manejam. Não, não, oxalá tenham longa vida, mas deveriam convocar a uma sessão e declarar sua dissolução", afirmou em 2008 Chávez, que culpou o organismo multilateral da crise financeira internacional que eclodiu nesse ano.
Em similares termos se pronunciou em 2025 Nicolás Maduro, que não só responsabilizou o FMI do "afundamento dos países", senão que também acusou de "traidor" a quem quer que na Venezuela pensasse em negociar com ele.
"Quem entregar nosso país ao FMI será um grande traidor e o povo teria direito a ir às ruas outra vez", declarou.
O anúncio da renegociação da dívida externa venezuelana foi recebido com otimismo pelos mercados internacionais. Os bônus do país, cujo preço não chega a um dólar, subiram mais de 2%, enquanto que os de PDVSA avançaram até 4% após conhecer-se a notícia, segundo reportou a agência Bloomberg.
Especialistas consultados pela BBC Mundo advertiram que este é apenas o primeiro passo de um longo processo que poderia culminar com o pleno regresso do país ao sistema financeiro internacional e, em consequência, com a possibilidade de acessar novamente a créditos e financiamentos.
"Estamos começando um processo de renegociação sem ter os números na mesa. Não sabemos quanto se deve nem a quem se lhe deve", afirmou o economista venezuelano José Manuel Puente.
O professor do Instituto de Estudos Superiores de Administração de Venezuela (IESA) e da IE University de Madrid (Espanha) ressaltou que não existe clareza sobre o montante devido à China, nem sobre se essa cifra inclui os bilhões correspondentes a litígios internacionais que o país enfrenta.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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