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Internacional

1980: O ano-chave para compreender a migração centro-americana em direção aos Estados Unidos

24/05/2026 10:45 3 min lectura 24 visualizações
1980: El año clave para entender la migración centroamericana hacia Estados Unidos

Orígenes históricos da migração centro-americana

O jornalista Jonathan Blitzer, correspondente do The New Yorker, documentou durante mais de uma década a crise migratória na fronteira sul dos Estados Unidos. Seu primeiro livro, "Todos os que se foram estão aqui" (Everyone Who Is Gone Is Here), integra a prestigiosa lista dos dez melhores livros de 2024 do The New York Times.

Em sua obra, Blitzer revisa os orígenes das grandes ondas migratórias da América Central, examina as políticas implementadas por distintos governos estadunidenses e questiona que o debate tenha se limitado unicamente à fronteira.

A importância do ano 1980

De acordo com a análise de Blitzer, a década de 1980 é significativa por duas razões principais:

Primeira razão: Em 1980, o governo dos Estados Unidos promulgou a Lei de Refugiados (Refugee Act), que pela primeira vez formalizou legalmente os direitos dos refugiados e daqueles que solicitavam asilo na fronteira. Foi um avanço importante na proteção de migrantes.

Segunda razão: Simultaneamente, este sistema legal se entrelaçou com a política da Guerra Fria. Os governos aliados dos Estados Unidos na América Central eram precisamente aqueles que estavam reprimindo suas populações em países como El Salvador e Guatemala, provocando que milhares de pessoas fugissem de seus territórios.

A dimensão histórica da migração

Blitzer enfatiza que os leitores estadunidenses frequentemente desconhecem a estreita relação histórica e política entre Estados Unidos e os países da América Central. Seu propósito ao escrever o livro foi transmitir a força das experiências pessoais e abrir uma janela para que os leitores compreendam a dimensão histórica desses processos migratórios.

O aprendizado principal do jornalista foi compreender os matizes históricos, políticos e legais das dinâmicas complexas que atravessam as pessoas que tiveram que migrar para os Estados Unidos.

Replanejando o conceito de "crise migratória"

Blitzer questiona a terminologia comumente utilizada. Considera que a ideia de "crise migratória" foi carregada de cinismo por certos políticos estadunidenses que tentam aproveitar a percepção de caos na fronteira para estigmatizar todos os migrantes.

O jornalista sustenta que o termo "crise migratória" é insuficiente para descrever a realidade atual.

O que estamos presenciando é uma crise humanitária, porque se trata de pessoas que chegam à fronteira com necessidades específicas e o sistema estadunidense não soube como responder a essa realidade humana.

O contexto político atual

Blitzer identifica que a estratégia migratória se deslocou do enfoque exclusivo na fronteira para o interior dos Estados Unidos, abarcando suas principais cidades. Já não se concentra unicamente nos recém-chegados, mas também em pessoas que estão há várias décadas no país.

O jornalista define a política migratória atual como um "ataque completo às instituições legais e democráticas", transformando os Estados Unidos em "um laboratório do autoritarismo".

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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