EUA e Irã trocam ataques em novo golpe à sua frágil trégua
Ambos os lados relataram ter atingido dezenas de objetivos, colocando em risco um acordo preliminar para encerrar a guerra no Oriente Médio
Ambos os lados relataram ter atingido dezenas de objetivos, colocando em risco um acordo preliminar para encerrar a guerra no Oriente Médio, que levou os preços do petróleo ao seu nível mais alto em duas semanas.
Washington também revogou o levantamento das sanções sobre a venda de petróleo iraniano e bombardeou sítios militares na república islâmica, após acusar o Irã de atacar três navios no estreito.
Os Guardianes da Revolução (CGRI) iranianos afirmaram na quarta-feira que atacaram dezenas de instalações estadunidenses no Bahrein e Kuwait, segundo comunicado da televisão estatal IRIB.
"Em uma resposta inicial a esta agressão, as forças marítimas e aeroespaciais dos CGRI realizaram uma operação conjunta de mísseis e drones, atingindo 85 instalações militares estadunidenses" no Kuwait e Bahrein, indica o comunicado.
Bahrein disse que seus alarmes aéreos foram ativados e que se escutaram explosões, enquanto o Kuwait anunciou que sua defesa aérea repeliu um ataque com drones e mísseis, sem precisar a origem dos ataques.
Tanto o Kuwait quanto o Bahrein possuem bases estadunidenses e foram atacados repetidamente pelo Irã durante a guerra.
Previamente, o comando estadunidense no Oriente Médio (Centcom) anunciou no X que suas forças "atacaram sistemas de defesa iranianos, redes de comando e controle, sítios de radar costeiro, capacidades de mísseis antinavio e mais de 60 pequenas embarcações" dos Guardianes da Revolução.
O Ministério de Relações Exteriores do Irã acusou os Estados Unidos de violar repetidamente o memorando de entendimento acordado entre ambas as partes para encerrar a guerra no Oriente Médio e ameaçou tomar represálias.
A agência de notícias iraniana IRIB informou de seis explosões na ilha de Qeshm, sete mais na cidade de Sirik e outras na cidade portuária de Bandar Abás.
A agência britânica de segurança marítima UKMTO reportou que um "projétil desconhecido" impactou um petroleiro durante a noite e provocou um incêndio, antes de que outros dois navios fossem atingidos, pelo menos um deles por um drone.
Os três navios foram atacados perto de Omã, país que propôs um corredor temporário por sua costa, uma iniciativa à qual o Irã se opõe enquanto busca impor taxas aos navios que utilizam a estreita passagem marítima.
Catar disse que um dos navios era seu metaneiro de GNL Al-Rekayyat e culpou o Irã, denunciando um ataque "inaceitável" contra a navegação marítima internacional.
"Consideramos o Irã plenamente responsável do ponto de vista legal por este ataque e por qualquer dano ou repercussão resultante", escreveu no X o porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores do Catar, Majed Al Ansari.
O Irã expressou sua "consternação" pelas acusações do Catar em um comunicado divulgado pela agência estatal de notícias IRNA, qualificando as afirmações como "inaceitáveis".
Os ataques reacenderam as preocupações sobre a liberdade de navegação após o Irã levantar seu bloqueio da via marítima após um frágil cessar-fogo com os Estados Unidos.
O funcionário do Tesouro estadunidense afirmou na terça-feira que o memorando de entendimento com o Irã está baseado "inteiramente no cumprimento" das condições de navegação, e advertiu que Teerã só verá benefícios se demonstrar "boa conduta".
O futuro de Ormuz, a principal rota para as exportações energéticas do Golfo, tem sido um ponto de fricção durante as negociações entre Teerã e Washington para pôr fim de forma permanente ao conflito.
O tráfico marítimo tinha sido retomado timidamente após Washington e Teerã assinarem o memorando de entendimento.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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