"12 Latidos": Com a arte revive o legado de San Roque González
Colección de corações intervenidos artisticamente funde fé, memória histórica e identidade cultural paraguaia
A história de San Roque González de Santa Cruz, primeiro santo paraguaio, cobra vida através de "12 Latidos", uma coleção de corações intervenidos artisticamente que fusiona fé, memória histórica e identidade cultural, propondo um olhar contemporâneo sobre o legado jesuítico-guarani.
A coleção foi criada pelos artistas José Asunción Quevedo Allende, Liliana Sykora e Rubén Sykora, que representam distintos episódios da vida e missão do santo através de doze peças carregadas de simbolismo.
Cada coração possui uma identidade própria e transmite uma mensagem relacionada com a espiritualidade, a cultura e a história regional.
O projeto transcendeu as fronteiras com a apresentação da coleção no Paraninfo da Universidade Nacional de Trujillo, no Peru, durante o XI Foro Internacional de Responsabilidade Social Territorial, organizado pelo Orsalc-Unesco.
"Apresentar esta peça artística no Paraninfo da Universidade Nacional de Trujillo, um recinto de enorme peso histórico e patrimônio cultural, representa uma honra gigantesca para mim e para o coletivo que integramos com Liliana e José", expressou Rubén Sykora, que participou do foro internacional.
IDEIA. A iniciativa começou em novembro de 2022 e ganhou impulso no início de 2023, quando seus impulsores percorreram lugares vinculados com a vida de San Roque, desde Assunção e as antigas missões até Encarnación, Posadas e Caaró, no Brasil, onde ocorreu seu martírio em 1628.
Segundo José Quevedo, a coleção faz parte de um projeto artístico mais amplo que contempla três grandes etapas. A primeira foi um tapete sensorial que permitia experimentar a história do santo mediante os cinco sentidos; a segunda corresponde aos doze corações, enquanto que a terceira se projeta em direção ao quarto centenário de seu martírio, em 2028.
O coração constitui o eixo de toda a investigação artística, devido à tradição que sustenta que o de San Roque permaneceu intacto depois que seu corpo foi lançado ao fogo. "Somos três artistas com três linhas diferentes, mas cada um fala sobre San Roque ao seu estilo, com sua técnica pessoal", disse Quevedo.
O que representam? As peças, elaboradas a partir de estruturas de argila, gesso, resina e fibra de vidro, integram artesanato, história e criação contemporânea em uma narrativa comum.
Liliana Sykora explora as conexões entre a vida, a saúde e a espiritualidade, como em "O fio da vida", que representa o vínculo entre o corpo físico e a alma, e "Com o coração na mão", uma peça sobre a vulnerabilidade, a entrega e o afeto.
Em "O coração da pátria", Liliana incorpora as cores nacionais e o ñandutí, em uma composição que une devoção e identidade paraguaia. Suas obras combinam elementos simbólicos e recursos visuais para traduzir conceitos espirituais em experiências artísticas.
Por sua parte, Rubén Sykora incorpora referências a Encarnación e sua identidade cultural, com elementos como pérolas, cristais e filigrana.
José Quevedo desenvolve uma linha mais autóctone e folclórica, com materiais e técnicas como o ao po'i, o crochê e referências à natureza. Em "Coração nativo", evoca as expressões artísticas dos povos originários, a música paraguaia e a erva-mate, cujo cultivo e aproveitamento adquiriram relevância nas missões jesuíticas.
O objetivo central, segundo Quevedo, é revitalizar a figura do santo e recuperar sua importância histórica e cultural, especialmente no Paraguai. "Na Argentina e no Brasil a San Roque têm adoração", assinalou, ao destacar a necessidade de fortalecer sua presença na memória coletiva paraguaia.
A intenção é que "12 Latidos" possa percorrer outras cidades do país e chegar a novos públicos, além de continuar sua projeção internacional. "Somos artistas, mas é tão forte a conexão arte com religião", afirmou...
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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