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Cultura

"12 Latidos": A arte revitaliza o legado de San Roque González

18/10/2026 08:45 3 min lectura 26 visualizações

Uma proposta artística que honra a história

"12 Latidos" é uma coleção de corações artisticamente intervenidos que funde fé, memória histórica e identidade cultural, oferecendo uma perspectiva contemporânea sobre o legado jesuítico-guarani de San Roque González de Santa Cruz, primeiro santo paraguaio.

A coleção foi criada pelos artistas José Asunción Quevedo Allende, Liliana Sykora e Rubén Sykora, que representam distintos episódios da vida e missão do santo através de doze peças carregadas de simbolismo. Cada coração possui identidade própria e transmite uma mensagem vinculada à espiritualidade, à cultura e à história regional.

Reconhecimento internacional

O projeto transcendeu as fronteiras com a apresentação da coleção no Paraninfo da Universidade Nacional de Trujillo, no Peru, durante o XI Foro Internacional de Responsabilidad Social Territorial, organizado por Orsalc-Unesco.

"Apresentar esta peça artística no Paraninfo da Universidade Nacional de Trujillo, um recinto de enorme peso histórico e patrimônio cultural, representa uma honra gigantesca para mim e para o coletivo que integramos com Liliana e José", expressou Rubén Sykora.

Um processo de pesquisa artística

A iniciativa começou em novembro de 2022 e ganhou impulso no início de 2023, quando seus impulsores percorreram lugares vinculados com a vida de San Roque, desde Assunção e as antigas missões até Encarnación, Posadas e Caaró, no Brasil, onde ocorreu seu martírio em 1628.

Segundo José Quevedo, a coleção faz parte de um projeto artístico mais amplo que contempla três grandes etapas. A primeira foi um tapete sensorial que permitia experienciar a história do santo por meio dos cinco sentidos; a segunda corresponde aos doze corações, enquanto a terceira se projeta para o quarto centenário de seu martírio, em 2028.

O coração constitui o eixo de toda a pesquisa artística devido à tradição que sustenta que o de San Roque permaneceu intacto depois que seu corpo foi lançado ao fogo. "Somos três artistas com três linhas diferentes, mas cada um fala sobre San Roque a seu estilo, com sua técnica pessoal", assinalou Quevedo.

Técnicas e simbolismo em cada peça

As peças foram elaboradas a partir de estruturas de argila, gesso, resina e fibra de vidro, integrando artesanato, história e criação contemporânea em uma narrativa comum.

Liliana Sykora explora as conexões entre a vida, a saúde e a espiritualidade. Em obras como "O fio da vida", representa o vínculo entre o corpo físico e a alma, e em "Com o coração na mão", aborda a vulnerabilidade, a entrega e o afeto. Em "O coração da pátria", incorpora as cores nacionais e o ñandutí, entrelaçando devoção e identidade paraguaia.

Rubén Sykora incorpora referências a Encarnación e sua identidade cultural, utilizando elementos como pérolas, cristais e filigrana.

José Quevedo desenvolve uma linha mais autóctone e folclórica, com materiais e técnicas como o ao po'i, o crochê e referências à natureza. Em "Coração nativo", evoca as expressões artísticas dos povos originários, a música paraguaia e a erva-mate, cujo cultivo adquiriu relevância nas missões jesuíticas.

Revitalização da memória cultural

O objetivo central é revitalizar a figura do santo e recuperar sua importância histórica e cultural, especialmente no Paraguai. "Na Argentina e no Brasil a San Roque o veneram", destacou Quevedo, sinalizando a necessidade de fortalecer sua presença na memória coletiva paraguaia.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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