"Tudo está documentado", disse Peña ante críticas sobre seu patrimônio e exigiu "desculpas"
"Houve perguntas, houve respostas. Esse foi um trabalho técnico que levou muitos meses", disse Santiago Peña sobre o parecer da Controladoria Geral da República (CGR) referente aos seus bens e patrimônio detalhados em sua Declaração Jurada (DDJJ), alegando que se colocou à disposição em seu momento, e que a conclusão do órgão reflete que há correspondência em seus ingressos.
"Tudo está documentado, tudo está apresentado de forma correta, legalmente, com rastreabilidade", acrescentou o mandatário.
Igualmente, assinalou que para muitos é fácil levantar acusações e tentar manchar.
"Infelizmente teria esperado um pedido de desculpas por parte daqueles que tanto me atacaram", retrucou o chefe do Poder Executivo.
Numerosas críticas surgiram esta semana ante o informe que a Controladoria encaminhou na segunda-feira à Procuradoria sobre os resultados do exame de correspondência de bens realizado ao presidente Santiago Peña.
As críticas se dirigem principalmente ao fato de que o órgão não encontrou nenhuma irregularidade na evolução patrimonial do chefe de Estado, cuja fortuna aumentou G. 20.000 milhões no período 2017-2023, etapa não avaliada pela CGR pelo fato de que naquele momento não exercia funções públicas.
Durante esta terça-feira houve críticas públicas a respeito do exame patrimonial feito pela Controladoria sobre os bens de Peña.
Nesse sentido, o advogado Felino Amarilla criticou as retificações feitas por Peña ante a Controladoria, qualificando-as de um "maquiagem" financeira para ajustar suas contas. Assinalou que se instalou uma quantidade de dúvidas sobre um suposto enriquecimento ilícito.
"É chamativo que os números se equilibrem de forma inusitada neste informe (de Controladoria). Aqui a maquiagem significou um ajuste de mais ou menos G. 2.000 milhões a G. 3.000 milhões. Nossa denúncia é correta e se ajusta ao direito", mencionou Amarilla.
O advogado se referiu à construção da mansão que o presidente levantou em San Bernardino por quantias milionárias financiadas pelo grupo Ueno com o qual ele teve relação econômica.
Por sua vez, o senador opositor Rafael Filizzola questionou que a Controladoria tenha omitido principalmente analisar os anos de maior acumulação de Peña, por se tratar de uma pessoa politicamente exposta.
Alertou que o informe não substitui uma investigação penal e instou a Procuradoria a indagar a origem de sua riqueza, especialmente os mais de G. 20.000 milhões obtidos entre 2017 e 2023.
Igualmente, descreveu uma série de fraquezas do informe apresentado pela Controladoria sobre o exame de correspondência patrimonial do presidente da República.
Se referiu ao período entre 2017 e 2023, que a Controladoria reconhece como um "intervalo privado", não está sujeito ao controle patrimonial direto.
Coincidentemente, naqueles anos seu patrimônio saltou de G. 1.300 milhões a G. 23.000 milhões, um fato de suma relevância, considerando que com o último montante pode ter um acesso privilegiado a estruturas financeiras, bem como valorizações societárias e oportunidades normalmente reservadas a atores com enorme capacidade econômica, relacional e política, de acordo com a análise de Filizzola.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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