Trump e Xi, um passeio "entre o céu e a terra" pelo templo preferido de Kissinger
Após reunião no Grande Palácio do Povo, líder americano é recebido por Xi em visita ao icônico Templo do Céu de Pequim
Trump chegou ao local, fechado ao público durante dois dias, pouco depois de finalizar sua reunião com Xi no Grande Palácio do Povo, e posteriormente seu anfitrião o guiou em um passeio que não ultrapassou uma hora pelos locais mais emblemáticos de um complexo que, com 273 hectáreas de extensão, é quatro vezes maior que a Cidade Proibida.
A estrutura central do Templo, de planta redonda e com um vistoso telhado triplo de telhas azuis, é uma das imagens mais tradicionais e conhecidas de Pequim: foi erguido em 1420, durante a dinastia Ming e em sua construção, toda de madeira, não se empregou nem um único prego.
Mas além de sua aparência, o Templo do Céu encarna fortes valores simbólicos, já que os imperadores das dinastias Ming e Qing acudiam ali para oferecer sacrifícios e rezar pelas colheitas, algo que meios locais interpretam hoje como uma mensagem sobre a união da "ordem cósmica e a autoridade política", mas também sobre a "harmonia e a abundância" que devem reger a relação entre as duas potências.
"Um lugar magnífico. Incrível. A China é linda", manifestou Trump brevemente à imprensa que o acompanha quando os repórteres lhe perguntaram como havia correr a reunião prévia com Xi.
Foi uma das poucas interações do presidente americano com a imprensa desde que chegou ontem a Pequim. O republicano se concentrou nesta ocasião no passeio com seu anfitrião, que o recebeu ao pé do "Salão de oração pelas boas colheitas" e, após uma foto em grupo, o guiou em um percurso pelo enclave que não ultrapassou uma hora de duração.
Concluído o passeio, ao qual se uniram seu filho Eric e sua nora Lara Trump, o mandatário subiu em seu carro oficial e a caravana partiu rumo ao hotel no qual se aloja o mandatário, que assistirá esta tarde a um banquete de Estado oferecido em sua honra por Xi Jinping no Grande Palácio do Povo.
A forte presença policial e os limites de acesso à zona fizeram com que nos arredores do monumento não se congregasse demasiado público, segundo constatou a EFE, embora alguns transeuntes e até alguns turistas conseguissem chegar às imediações com a esperança de vislumbrar os presidentes ou ao menos a descomunal caravana na qual se desloca o americano.
"Só quero ver o deslocamento da caravana de Donald Trump. Porque sua visita nesta ocasião tem um grande significado. Ele pode dar um grande impulso à economia da China", declarou à EFE um dos presentes, que preferiu não revelar seu nome.
Outro, com marcado criptismo oriental, respondeu que "o futuro é imprevisível" ao ser perguntado sobre a possível melhora da relação entre os dois líderes, e que "deveria haver certos resultados" quando questionado sobre os acordos que possam sair da visita.
O líder republicano não é o primeiro ocupante da Casa Branca que visita o Templo do Céu, por onde passou o então presidente Gerald Ford em 1975, e em 1988 a então primeira-dama, Nancy Reagan, em representação de Ronald Reagan, que tinha previsto comparecer mas se viu "preso" em reuniões mais longas do que o previsto.
Também esteve neste enclave o ex-presidente George H.W. Bush, embora não durante seu mandato, mas anos antes, quando ocupava o cargo de chefe do escritório de enlace dos Estados Unidos em Pequim, de acordo com o meio estatal The Paper.
Porém, se há um político americano cujo nome está ligado ao Templo do Céu é o do ex-secretário de Estado Henry Kissinger, que segundo os registros do local visitou o lugar ao menos uma dúzia de vezes entre 1971 e 2003, e é conhecido como um "velho amigo da China" por seu papel para gestar em segredo o degelo entre Pequim e Washington.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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