Toro Acuña: "Recuperar a identidade foi a chave" para o retorno do Paraguai ao Mundial
Um retorno histórico depois de 16 anos
Roberto Miguel Acuña, considerado histórico da Seleção Paraguaia com três Mundiais disputados e 100 compromissos com a Albirroja Absoluta, compartilhou sua análise sobre a classificação do Paraguai para a Copa do Mundo 2026, primeiro torneio mundial em que participará depois de 16 anos de ausência.
"Se vê que é um bom grupo o que se conformou com essa nova geração, e isso se demonstra no resultado", expressou Acuña referindo-se ao trabalho realizado por Gustavo Alfaro. Segundo o ex-jogador, o técnico "veio acertar para levantar um grupo muito desgastado, pela torcida, pela imprensa até mesmo ex-jogadores, mas o segredo esteve na convicção e em recuperar a identidade, essa foi a chave para alcançar o objetivo".
A mudança nas Eliminatórias Sul-americanas
Acuña refletiu sobre o período em que o Paraguai não disputou Mundiais. "O resto das seleções melhorou", apontou, comparando a atualidade com épocas anteriores. "No nosso tempo por exemplo com a Venezuela, eram 6 pontos seguros, porque vencíamos em casa e fora, e os demais também subiram nem é preciso dizer Equador ou Colômbia, com jogadores competindo na elite da Europa, se emparelhou muito para cima e isso fez com que se equiparassem muito as Eliminatórias".
Essa perspectiva revela como o nível competitivo regional evoluiu, elevando o padrão das classificatórias sul-americanas.
Uma carreira dedicada à Albirroja
Roberto Miguel Toro Acuña nasceu em Avellaneda, Buenos Aires, Argentina, mas sua vinculação com o Paraguai remonta aos seus primeiros passos no profissionalismo. "Cheguei em 89 ao Paraguai e me naturalizei em 92", recordou, explicando que previamente havia sido transferido à Argentinos Juniors. "Quando retorno ao país ao me colocar a serviço da seleção o fiz como paraguaio".
O ex-jogador recordou seu primeiro chamado sob as ordens de Valdir Espinoza, técnico que lhe ofereceu a oportunidade de defender as cores do Paraguai. "Meu sonho sempre foi jogar em um time grande e na Seleção Argentina quando criança, mas as coisas da vida me levaram a chegar a jogar no Paraguai", expressou Acuña.
Entre os momentos destacados de sua carreira encontra-se seu emblemático gol em Eliminatórias contra a Argentina em Buenos Aires. "Saiu no momento, não foi pensado", esclareceu sobre a comemoração beijando o escudo da Albirroja. "Apesar de ter tido críticas de amigos e alguns familiares, para mim é um gol mais que importante, pelo contexto e pelo que representa a seleção".
Os naturalizados como opção
Acuña expôs sua visão sobre os jogadores naturalizados que contribuíram para o time. "Antes de me naturalizar já me sentia paraguaio, toda minha família é paraguaia e foi apenas uma formalidade", esclareceu. Acrescentou que "todos os que tomam essa decisão é de coração, e todos devem ser bem-vindos".
Preparar-se para uma competição diferente
Em relação à participação do Paraguai na Copa do Mundo 2026, Acuña explicou que não é a mesma coisa disputar as Eliminatórias que um Mundial. "Aqui na América do Sul não se está acostumado a isso, já não há que pensar em tudo o bom que se fez, há que olhar para frente e não há que perder nossa essência".
O ex-capitão enfatizou a importância de manter características próprias do time: "Manter essa característica garra, sempre buscando potencializar os bons atacantes que vão aparecendo e formando um bom grupo, com uma ideia clara e similar, consegue-se ganhar de qualquer um".
Segundo Acuña, o enfoque deve estar no crescimento contínuo sem abandonar a identidade que caracterizou o futebol paraguaio, potencializando o talento ofensivo disponível e mantendo a coesão do time.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.