Tentativa de golpe de 96: "O general Lino Oviedo não fará entrega do Comando do Exército"
Confesso que teria preferido não escrever o presente artigo mais que tudo, para não ferir suscetibilidades. Fá-lo-ei a modo de semblança, sem pretender ingressar no campo de luta política, que é fratricida. Será antes desde a visão de um observador e protagonista daqueles fatos, que toma partido em favor da democracia representativa, participativa e pluralista como forma de convivência social.
As efemérides, que coincidem com o inoportuno conteúdo do discurso político proferido dias atrás pelo ministro do Interior, Enrique Riera, por ocasião do ato de entrega do comando da Comandância da Polícia Nacional, remeteram-me à década de noventa do século passado, tempo caracterizado por aquartelamentos, ruídos de sabres e atividades políticas na sede do Comando do Exército Paraguayo.
É que, em ocasiões como essa se estila mais bem uma arenga e não um discurso daquele matiz; ainda mais levando em conta que o ministro estava diante da formação de um corpo armado em ato solene. O campo de formação utiliza-se para render culto à Pátria e é portanto inadmissível e proibitivo desenvolver atividades ou discursos desse tipo.
Escrevo desde a ótica de um jovem tenente, oficial de segurança do Regimiento Escolta Presidencial, protagonista privilegiado em seu nível, dos acontecimentos que cercaram a crise política e militar de 22 e 23 de abril de 1996, há trinta anos atrás.
Por então a República enfrentava o primeiro desafio de subverter sua novel democracia, precisamente, de quem a obteve no campo de batalha. O então comandante do Exército, general de Divisão Lino Oviedo negava-se a acatar a ordem do então presidente da República e comandante em chefe das Forças Armadas da Nação, engenheiro Juan Carlos Wasmosy, que o relevava de dito comando, trâmite prévio a sua passagem para a aposentadoria.
O sucesso que manteve em suspense o país pelo espaço de quarenta e oito horas teve repercussões até anos depois com os sucessos do março paraguaio do ano 1999 e a asonada de maio do ano 2000; últimos reflexos do messianismo político e histórico militar, iniciado depois da Guerra del Chaco.
Como uma sorte de autodepuração e ressurreição institucional, foram as próprias Forças Armadas da Nação quem impediram outras tentativas dessa e outras asonadas, iniciando-se o caminho de uma conduta institucional enquadrada no cumprimento de sua missão constitucional e com um maior profissionalismo. O general Lino Oviedo foi um homem de seu tempo.
Algum presidente da República definiu-o como um exímio estrategista e excelente planificador. Homem de uma coragem particular, trabalhador, foi arrojado e decidido. Não pretendo defini-lo como pessoa. Sim, analisarei seu modo de gestão e a estratégia política utilizada que lhe deu resultado positivo por um longo tempo.
Oviedo utilizava como armas para a dominação das massas as doutrinas de Goebbels e de Hannah Arendt. Não creio equivocar-me quando digo que meu general era filosoficamente próximo ao nazismo pelos seguintes dois motivos; o uso da propaganda e a banalização do mal como elementos sociais de dominação e de arraste. Súdito da escola alemã em suas vertentes baseadas no darwinismo social, o espaço vital e o nacionalismo extremo, mas simpatizante do povo judeu, admirador de Conrad Adenauer; Oviedo era tipicamente goebbelsiano, imitador das práticas do ministro de propaganda Joseph Goebbels do terceiro Reich.
Bastava olhar seus atos oficiais e seu modo de comunicação com as massas, a quem cativava com sórdido candor. Sua hiperatividade era subjetivamente estranha. Essas características transbordantes, não lhe fizeram ver que seus métodos e seus modos de ação haviam ficado defasados irremissivelmente no tempo. E aqui, aparece o segundo fenômeno que caracterizou seus aderentes e uma parte...
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.