Tarifa técnica paralisa operação de ônibus elétricos, admite o MOPC
Falta de estrutura tarifária definida deixa 40 unidades fora de serviço
A ministra de Obras Públicas e Comunicações, Claudia Centurión, admitiu que um lote de 40 ônibus elétricos novos encontra-se fora de serviço devido à falta de uma estrutura tarifária definida para este tipo de tecnologia. O anúncio se dá em um contexto de forte pressão cidadã e críticas por parte dos gremios de transporte.
O inconveniente reside na brecha de custos entre as unidades diesel e as elétricas. Embora o compromisso do Executivo seja manter o preço da passagem para o usuário (G. 2.300 convencional e G. 3.400 diferencial), o Estado deve definir quanto pagará a título de subsídio às empresas.
A respeito dos valores, a funcionária explicou que a tarifa técnica dos ônibus convencionais é de G. 5.200, enquanto a diferencial é de aproximadamente G. 5.800. Do mesmo modo, mencionou que a tarifa estudada para os ônibus elétricos fica entre G. 6.000 e G. 6.500 (estimada conforme volume de unidades).
"O material rodante dos ônibus elétricos é mais caro. Estamos analisando isso com o Ministério da Economia, que é o órgão que autoriza o valor que podemos pagar", explicou a ministra Centurión em conversa com a Monumental 1080 AM.
Centurión adiantou que o Governo encontra-se na etapa final para incorporar não apenas as 40 unidades mencionadas, mas um total de 80 ônibus sob o esquema desta mesma empresa. Além disso, aguarda-se a promulgação da reforma que permitirá iniciar novos processos de licitação.
O plano oficial aponta para uma composição de 40% ônibus elétricos e 60% unidades Euro 5, modelo que consideram o mais adaptável à infraestrutura atual do país.
Apesar do alto custo inicial, a ministra destacou que o ônibus elétrico apresenta benefícios substanciais quanto ao impacto ambiental e à manutenção a longo prazo.
"Compreendemos o desgosto cidadão e realizamos uma reforma. É um processo gradual, mas o compromisso é reconhecer os aumentos e sustentar o serviço", concluiu.
A funcionária explicou que o Estado realiza fechamentos da tarifa técnica a cada seis meses para reconhecer as variações de custos e garantir a operatividade.
Apesar de terem sido adjudicadas ao setor privado, a falta de uma definição tarifária por parte do Governo mantém as unidades nos depósitos. A Cetrapam, liderada por César Ruiz Díaz, denuncia que a inação estatal prejudica diretamente milhares de usuários.
O gremio realizou a denúncia por meio das redes sociais e fez referência de que se trata de uma decisão política do Governo, que não define a tarifa técnica para a operação.
Por tratar-se de uma tecnologia distinta à dos ônibus a combustão, a tarifa técnica deve ser recalculada para incluir variáveis como o custo da energia, a manutenção especializada e a amortização dos equipamentos de carga rápida.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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