"Quem busca reivindicar Hernán Cortés e suas atrocidades está destinado à derrota": críticas da presidenta Claudia Sheinbaum à líder espanhola Isabel Díaz Ayuso
A presidenta mexicana critica duramente a visita da líder do Partido Popular espanhol, que promoveu um ato de homenagem ao conquistador
A presidenta do México, Claudia Sheinbaum, lançou nesta terça-feira uma dura crítica à presidenta da Comunidade de Madrid, Isabel Díaz Ayuso, que se encontra no México em uma visita de 10 dias que incluiu um ato de reivindicação da figura do conquistador Hernán Cortés.
A dirigente do Partido Popular espanhol de direita, que tem sido crítica do governo de Sheinbaum, encabeçou segunda-feira na capital mexicana um ato em memória de Cortés, que liderou há 500 anos a queda do império indígena mexica e abriu caminho para a instauração do vice-reinado da Nova Espanha.
Diante disso, Sheinbaum lançou uma crítica sem mencionar pelo nome Díaz Ayuso nem os políticos mexicanos que se reuniram com a presidenta madrilena, aos quais comparou com alguns conservadores que promoveram intervenções na história do México.
"A quem revive a conquista como salvação, dizemos: estão destinados à derrota. A quem acredita que o povo é tolo: estão destinados à derrota. Quem busca reivindicar Hernán Cortés e suas atrocidades: está destinado à derrota. A quem pensa que a presidenta se ajoelha: está destinado à derrota", afirmou Sheinbaum.
As palavras da presidenta foram proferidas no marco da comemoração da Batalha de Puebla de 1862, na qual o exército mexicano derrotou as experimentadas tropas francesas enviadas por Napoleão III em uma tentativa de tomar o México, em cumplicidade com líderes conservadores mexicanos.
Seu discurso também ocorre em meio às crescentes pressões dos Estados Unidos sobre seu governo em matéria de combate ao narcotráfico, tema pelo qual Washington lançou uma acusação judicial contra um governador do partido de Sheinbaum na semana passada.
"A qualquer governo estrangeiro somos claros e contundentes: a história nos diz que o povo do México não se equivoca quando se trata de defender a soberania nacional", afirmou a presidenta.
A agenda da visita de Díaz Ayuso tinha como ponto de partida uma missa na Catedral Metropolitana da Cidade do México, um ato religioso em que haveria um momento para recordar o expedicionário espanhol Hernán Cortés.
A missa foi suspensa pela Arquidiocese Primada do México devido à controvérsia política que gerou.
Em seu lugar, a presidenta da Comunidade de Madrid encabeçou outro ato em que participou o músico espanhol Nacho Cano, produtor do musical "Malinche" sobre o início do mestizagem mexicano há 500 anos, assim como políticos e líderes de direita mexicanos.
Ali Díaz Ayuso reivindicou Cortés e a rainha Isabel I, que financiou a viagem de Cristóvão Colombo, e rejeitou a promoção do "ódio" à história do México e Espanha: "É incompreensível que ainda haja quem queira viver disso".
Suas palavras também faziam referência ao pedido de desculpas que solicitou há alguns anos o ex-presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador ao rei da Espanha pelos "abusos" cometidos durante a conquista do México.
No ato de segunda-feira, Nacho Cano também disse que "se não fosse por Hernán Cortés, não existiria o México. Igual que sem Cristo não existiria o cristianismo... isto é assim te agrade ou não".
Políticos mexicanos como a alcaldesa de direita Alessandra Rojo de la Vega, legisladores e líderes empresariais participaram nas atividades de Díaz Ayuso no México.
Nesta terça-feira, Sheinbaum revisou os momentos históricos em que o México sofreu intervenções estrangeiras, algumas promovidas por políticos conservadores mexicanos.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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