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Economia

Petruzzi considera que o mercado brasileiro de gado gordo está próximo de encontrar um piso de preços

10/07/2026 03:45 3 min lectura 14 visualizações

A forte correção que registrou o mercado de gado gordo no Brasil durante as últimas semanas poderia estar chegando ao fim. Essa é a visão do economista, produtor e consignatário brasileiro Fernando Petruzzi, que considerou que, apesar das incertezas comerciais que enfrenta o principal exportador mundial de carne bovina, os valores já se situam em níveis onde resulta difícil imaginar novas quedas significativas.

A leitura adquire relevância para o Paraguai, já que a evolução do mercado brasileiro costuma marcar o pulso da competitividade regional e dos valores internacionais da carne.

Durante uma entrevista concedida ao programa Valor Agregado do Uruguai, Petruzzi explicou que a pressão baixista foi impulsionada principalmente por dois fatores: a interrupção temporária das compras da China, após completar a cota anual prevista, e a incerteza quanto a uma eventual suspensão de exportações para a União Europeia.

"China hoje nos preocupa mais porque representa cerca de 30% de nossas exportações de carne. Europa paga muito bem, mas é um mercado que pode se reacomodar para outros destinos se fosse necessário", afirmou.

Não obstante, o operador brasileiro sustentou que ambos os cenários têm possibilidades de serem resolvidos nos próximos meses. No caso da China, inclusive mencionou que existem negociações para adiantar embarques correspondentes às cotas do próximo ano e conversas vinculadas ao novo status sanitário do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação.

A indústria pressiona, mas a oferta continua ajustada

Petruzzi apontou que, ainda que os frigoríficos tenham utilizado o contexto internacional para pressionar os valores de compra, a realidade do mercado mostra uma oferta limitada de gado terminado.

"Os frigoríficos falam do fechamento da China e apertam os preços, mas as escalas de abate continuam muito curtas. Há mais pressão por estratégia comercial do que por abundância de gado", sustentou.

Segundo explicou, o contraste é marcado entre o sul brasileiro —onde o novilho de qualidade mantém forte demanda e é cotado entre US$ 5,40 e US$ 5,50 por quilo de carcaça, muito próximo dos valores uruguaios— e o centro do país, onde a maior oferta levou as referências até US$ 4,50 a US$ 4,60 por quilo; abaixo dos valores do Paraguai.

Para Petruzzi, a queda registrada no centro do Brasil já teria encontrado um limite. "Não acreditamos que vá cair muito mais. Já caiu bastante e hoje estamos praticamente em um piso de preços", garantiu.

O analista argumentou que existem vários elementos que sustentam essa visão. Por um lado, a oferta de gado continua sendo relativamente reduzida; por outro, espera-se um menor abate de vacas durante o segundo semestre, o que limitaria ainda mais a disponibilidade de animais para a indústria.

A isto se soma uma escassa oferta de animais jovens para engorda, que reduz a perspectiva de reposição de oferta num curto prazo.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.

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