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Política

Partidos políticos e eleições municipais

01/06/2026 11:00 3 min lectura 17 visualizações

A tese é sugestiva, sem dúvida. Mas convém lê-la cum granu salis (com certo ceticismo). E não por mero conservadorismo analítico, mas porque os dados disponíveis obrigam a matizar qualquer diagnóstico apressado sobre uma suposta despartidização do eleitorado paraguaio.

Aí estão, para começar, as cifras do TSJE sobre as internas simultâneas de 7 de junho. O padrão habilitado para votar ascende a 4,6 milhões de pessoas, todas filiadas a organizações políticas e inscritas no Registro Cívico Permanente. Desse total, um avassalador 60% (2,8 milhões) pertence à ANR e um 33% (1,5 milhões) ao PLRA. Apenas 0,34% está filiado a movimentos políticos e 6% a outros partidos. Dito de outro modo: os partidos tradicionais concentram 84% do padrão nacional. Difícil falar de "vaporização" com semelhante estrutura.

Agora bem, é certo que a filiação nem sempre expressa adesão real. Por isso vale cruzar esses dados com a participação nas internas. Em 2021, segundo o TEP da ANR, votou 44,48% dos colorados habilitados: 1.140.951 pessoas. Essa cifra se aproxima mais do "núcleo duro" do partido, mas continua sendo enorme. No PLRA, a participação rondou 35%, cerca de 535.500 pessoas. Não são números de um sistema em retirada.

Talvez o indicador mais elocuente seja o comportamento eleitoral nas municipais. Se se observa a evolução entre 1991 e 2021, o que aparece é uma surpreendente estabilidade: a ANR oscilou entre 41,68% e 49,63% dos votos; o PLRA, entre 31,84% e 38,95% (incluindo alianças). Em suma, durante três décadas, entre 73% e 88% do eleitorado paraguaio votou pelos partidos tradicionais. E o fez em contextos muito distintos. Basta lembrar 2021, após uma pandemia que gerou um profundo mal-estar, a ANR obteve 47,6% nacional, mais que em 2015, 2010 ou até mesmo 1991.

Com esse panorama, não parece que os partidos tradicionais estejam se vaporizando, mas isso não significa que as municipais careçam de interesse. Ao contrário, serão uma prova chave para medir se as novas organizações conseguem se abrir caminho em centros urbanos estratégicos como Assunção, Ciudad del Este ou Encarnación. Também voltará a se colocar sobre a mesa o desafio de enfrentar o "bipartidarismo assimétrico", marcado pelo predomínio colorado. Um desafio especialmente complexo para o PLRA, sobretudo em distritos decisivos de Central e outros departamentos.

Quanto às internas simultâneas de 7 de junho, a atenção estará posta em duas perguntas:

1. Se Honor Colorado mantém sua hegemonia dentro da ANR, e

2. Se o Novo Liberalismo consegue se consolidar como força dominante dentro do PLRA.

A quantidade de pré-candidaturas que apresenta este último movimento parece antecipa um avanço importante. Em qualquer caso, a jornada será crucial para encerrar uma interna liberal particularmente desgastante. Também haverá que observar o impacto do descontentamento gerado pelo abandono da paridade, um dos reclamos centrais de Coerência Liberal e de sua candidata à Presidência do partido, Marlene Orué.

Finalmente, será interessante ver se o voto preferente abre espaço a uma nova geração de aspirantes a vereadores. Esse, talvez, seja o termômetro mais fino para medir se algo está mudando – ou não – na cultura política paraguaia.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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