Partidos opositores denunciam "falta de transparência" em auditoria de máquinas de votação
Os representantes técnicos do Partido Frente Patriótico Teete (PFPT), Partido Popular Tekojoja (PPT) e do Partido Frente Amplo (PFA) asseguram que não existiram condições mínimas para uma auditoria independente e advertem sobre restrições técnicas, falta de documentação e ausência de rastreabilidade durante os testes realizados em fevereiro pelo Tribunal Superior de Justicia Electoral nas máquinas de votação.
Os técnicos, acompanhados por outros especialistas que não assinaram a nota, divulgaram um extenso comunicado público em que denunciam graves irregularidades no processo de auditoria das máquinas de votação fornecidas pela empresa argentina MSA (Magic Software Argentina), contratada pelo organismo eleitoral.
O documento, assinado por técnicos credenciados conforme a Resolução TSJE Nº 01/2026, sustenta que o procedimento desenvolvido entre 2 e 27 de fevereiro no Bloco H da Justicia Electoral "não constituiu uma auditoria técnica real" e que ficou longe de cumprir padrões internacionais de independência, verificabilidade e transparência.
Os denunciantes apontam diretamente contra as declarações realizadas por autoridades do TSJE, entre elas o presidente do organismo, Jorge Bogarín, e o ministro Jaime Bestard, e funcionários da Diretoria de Tecnologias da Informação e Comunicação, que haviam assegurado publicamente que o sistema foi submetido a uma "auditoria integral" e "cientificamente rigorosa". Segundo os técnicos, essas afirmações "carecem de sustento técnico objetivo, documental e metodologicamente verificável".
Entre as principais denúncias figura a suposta negativa do TSJE e da empresa fornecedora em permitir controles independentes sobre componentes críticos do sistema. O comunicado menciona que durante as jornadas técnicas se restringiu o uso de ferramentas autônomas de análise e dispositivos próprios dos representantes credenciados, impedindo testes reproduzíveis sobre hardware, firmware e mecanismos criptográficos.
Igualmente, asseguram que ficaram sem resposta múltiplos pedidos vinculados a usuários, privilégios do sistema, autenticação, código fonte, criptografia, RFID, BIOS, Secure Boot e controle de acessos.
Os técnicos também denunciaram a inexistência de atas diárias de trabalho, ausência de registros audiovisuais acessíveis e falta de rastreabilidade documental dos testes realizados. Conforme o escrito, foram apresentadas mais de trinta notas formais ante a Mesa de Entrada do TSJE, deixando constatadas as observações e pedidos de informação.
"O próprio auditado definiu as regras, limitou as ferramentas, controlou os cenários e administrou a informação disponível", questiona o comunicado, que considera que isso contraria princípios fundamentais de uma auditoria técnica independente.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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