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Paraguai

Nova lei impulsionará a indústria de energia no país, segundo especialista

Regulamentação da Lei de Energias Renováveis Não Convencionais abre portas para investimento privado descentralizado

24/05/2026 10:45 4 min lectura 31 visualizações
Nueva ley impulsará la industria de la energía en el país, según experto

Paraguai, o país que leva com orgulho seu selo verde por ser 100% de geração elétrica limpa e renovável, enfrenta um ponto de inflexão inescapável. Segundo o engenheiro Víctor Giménez, especialista em energias renováveis, os "50 anos de bênção energética estão se acabando" devido ao crescimento acelerado, às novas indústrias automatizadas e a uma demanda crescente que coloca em risco o suprimento elétrico futuro.

Diante deste cenário, o profissional que lidera a Associação Paraguaia de Energia Eólica (APEE) afirma que com o novo marco regulatório "Paraguai vestiu a roupa de adulto para demonstrar que estamos nos preparando e prontos para o próximo passo".

O engenheiro afirma que o custo de não se adaptar é alto, já que para o ano 2030, o país poderia perder mais de 50% de seu atrativo para investimentos. "Quem investiria em um país que não se prepara para cumprir o básico que é a energia elétrica?", afirmou em contato com ÚH.

A resposta do Governo a essa urgência chega com a regulamentação da Lei N° 7599/2025 de Energias Renováveis Não Convencionais (ERNC), uma normativa longamente postergada que o especialista qualifica como "o sinal de partida nesta indústria de energia". Este marco legal abre a porta a um cenário de investimento descentralizado em massa, com mais de USD 3.000 milhões de capital privado previstos em fontes não hídricas durante a próxima década, somados a outros USD 2.000 milhões em pequenas centrais hidrelétricas.

PRIVATIZAÇÃO. O especialista esclarece a natureza deste novo modelo de mercado. "Não se está falando de privatização, fala-se de participação privada para fortalecer e beneficiar o serviço de energia elétrica no país". O objetivo estrutural é gerar valor agregado no território local, colocando fim à exportação de energia.

Entre os aspectos positivos da lei, Giménez destaca um marco jurídico previsível que outorga licenças de até 30 anos, o que facilita enormemente a viabilidade e amortização de projetos solares, eólicos e de biogás. Além disso, incluem-se fundos fiduciários para assegurar os pagamentos reduzindo o risco de inadimplência, e abre-se formalmente a porta à exportação de energia gerada por privados, permitindo que Paraguai se consolide no futuro como um "hub regional de energia limpa".

DESAFIOS. O vice-presidente da Associação Paraguaia de Energias Renováveis (APER) assegura que a transição para a diversificação da matriz tem sérios obstáculos técnicos e financeiros. O especialista adverte sobre a "capacidade limitada de transmissão", já que a rede atual da ANDE não está plenamente adaptada para manejar os grandes volumes de geração distribuída que trarão os novos projetos.

O profissional menciona que em nível comercial existe uma preocupação central com relação à rentabilidade, dado que a normativa estabelece que nenhum contrato de remuneração pode superar o pliego tarifário vigente da ANDE. Sobre este ponto, Giménez é categórico com relação à dificuldade de ingressar no mercado com altos custos iniciais (como o solar ou eólico) contra a estrutura estatal. "É impossível competir contra custos de empreendimentos já amortizados", afirma. A isto se soma a exigência legal de uma participação acionária local de 51%, que poderia desestimular o investimento estrangeiro se não se recorrer à figura do consórcio, somado a uma preocupante "ausência de incentivos fiscais explícitos" para o setor.

2026, ano decisivo. Apesar das barreiras administrativas e de infraestrutura, a visão final do engenheiro é de um otimismo categórico, apoiando-se na oportunidade de combinar o histórico excedente hidrelétrico com as novas fontes ERNC para criar um modelo híbrido altamente competitivo em nível regional.

"Muitos dizem que no Paraguai não há nada... reafirmo-me em todo o contrário... tudo fica por fazer". A margem de ação é estratégica.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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