Nova expografia celebra a história da música nacional paraguaia
Casa Bicentenario da Música Agustín Pío Barrios Mangoré reabre com mostra que resgata o patrimônio sonoro do país
Revalorização do patrimônio musical
A Casa Bicentenario da Música Agustín Pío Barrios Mangoré reabriu com uma expografia que coloca em valor o rico patrimônio musical nacional. A nova mostra, projetada por Carlo Spatuzza e Lea Schwartzman, oferece um percurso integral por documentos, partituras e instrumentos de autores e compositores que definiram a identidade sonora do país.
Diego Sánchez Haase, diretor da Casa, destaca que a exposição abrange claramente duas facetas fundamentais: a música popular folclórica e a música acadêmica, além de um espaço dedicado a artistas que trabalharam em ambas as disciplinas.
Música Popular e seus Grandes Mestres
A sala de música popular abriga instrumentos emblemáticos que representam a riqueza da tradição nacional. Entre as peças principais encontra-se a harpa de Félix Pérez Cardozo, construída nos anos 30 do século XX pelo lutier Epifanio López com as 36 cordas que caracterizam este instrumento.
Também exibe as guitarras de destacados músicos como Emiliano R. Fernández, Efrén "Kamba'i" Echeverría, Mauricio Cardozo Ocampo, Epifanio Méndez Fleitas, Herminio Giménez, Demetrio Ortiz e Agustín Barboza.
O valioso acervo inclui aproximadamente 100 poesias de Emiliano Re, poemas de Teodoro S. Mongelós, uma coleção de flautas de Mauricio Cardozo Ocampo do conjunto Perurimá e o bandoneón de Herminio Giménez.
Legado da Banda da Polícia
Um espaço especial abriga trombones e instrumentos de vento da histórica Banda da Polícia, instituição que foi formadora de gerações significativas de músicos nacionais. Por esta agrupação passaram destacadas figuras como José Asunción Flores, Carlos Lara Bareiro e Mauricio Cardozo Ocampo.
Preservam-se as notações musicais dos primeiros experimentos de Flores com "Marãpa reikuaase", obra fundamental para o desenvolvimento da guarânia. Igualmente, encontra-se o manuscrito de "Che trompo arasa" de Herminio Giménez.
Em homenagem a Luis Alberto del Paraná, comemorando cem anos de seu nascimento, a exposição exibe três de seus oito discos de ouro, seu famoso globo terrestre, o microfone histórico e um cassete de ouro que reconhecem sua trajetória musical.
Patrimônio da Música Acadêmica
A sala dedicada à música acadêmica apresenta a guitarra Sanfeliú utilizada por Agustín Pío Barrios Mangoré entre 1930 e 1934, junto com os manuscritos de "Julia Florida" (datado na Costa Rica) e o prelúdio de "A Catedral" (realizado em Havana em 1938).
Preside este espaço o piano que pertenceu a Susana Elizeche de Codas, reconhecida como uma criança prodígio que oferecia concertos desde muito cedo. Este instrumento tem uma importância histórica particular, já que acolheu os primeiros ensaios dos escritos de José Asunción Flores para a guarânia, cujas métricas ainda se encontravam em desenvolvimento.
O Espaço Central da Casa Histórica
No hall de acesso da mansão, edifício histórico construído no final de 1910 pela família Arce em estilo neoclássico, destaca-se a guitarra Ramírez de Agustín Pío Barrios Mangoré, utilizada entre 1910 e 1914. Este instrumento ocupa o centro do espaço, sob uma das belas cúpulas arquitetônicas do centro histórico assunceno.
Horários e Localização
A exposição está aberta ao público de segunda a sexta-feira de 8:00 a 15:00 horas, e sábados, domingos e feriados de 9:00 a 17:00 horas. A Casa Bicentenario da Música Agustín Pío Barrios Mangoré situa-se na Cerro Corá 848 entre Tacuary e Estados Unidos, em Asunción.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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