Lojistas alertam que tarjeteo e fiado não são prosperidade
Associação denuncia descompasso entre dados macroeconômicos e realidade do comércio de bairro
A Associação de Lojistas Varejistas do Paraguai (AMP) emitiu um comunicado no qual questiona a brecha entre as cifras macroeconômicas e a situação do comércio de bairro. A entidade, que representa milhares de pequenos negócios familiares, afirma que o consumo não reflete um aumento da riqueza dos lares, mas um maior endividamento.
Segundo o documento, as estatísticas oficiais do produto interno bruto (PIB) mostram estabilidade e crescimento, porém a realidade nos bairros é diferente. "O consumo real financiado com rendas genuínas caiu vertiginosamente", aponta a AMP. As famílias enfrentam dificuldades para cobrir a cesta básica e serviços essenciais, o que impulsionou duas práticas: o retorno massivo do "fiado" nas despensas de bairro e o uso intensivo de cartões de crédito para comprar alimentos e combustíveis.
A associação denuncia que financiar a subsistência diária mediante crédito não constitui desenvolvimento nem mobilidade social. "É uma estratégia de sobrevivência insustentável que hipoteca o futuro da família paraguaia", afirma. O comunicado menciona observações do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre os riscos do crédito de consumo excessivo.
Em segundo lugar, a AMP critica a demora estatal na implementação da Lei N° 7444/2025. O Decreto regulatório N° 4535/2025 estabeleceu como prazo máximo o 30 de junho de 2026 para colocar em marcha o sistema integrado de dados entre o Ministério da Indústria e Comércio (MIC), a Direção Nacional de Receitas Tributárias (DNIT), o Instituto de Previdência Social (IPS) e o Ministério do Trabalho (MTESS), necessário para emitir a Cédula Mipymes digital.
Com o prazo já vencido, os benefícios previstos – como a isenção de alvarás municipais e um regime laboral e previdenciário diferenciado – seguem sem aplicar-se plenamente. A entidade sustenta que, enquanto os custos fixos (contas de ANDE, aluguéis e taxas) cobram-se sem demora, o Estado descumpre seus compromissos.
Diante dessa situação, a AMP formulou exigências concretas:
• Às municipalidades: Suspender imediatamente a cobrança de alvarás comerciais às microempresas que correspondem à isenção da Lei N° 7444/2025.
• Ao IPS e ao MTESS: Habilitar de forma urgente as janelas e o registro flexibilizado (Resolução MTESS Nº 220/2026) para a formalização do setor.
• Ao Banco Central do Paraguai (BCP) e ao sistema financeiro: Facilitar o acesso a contas básicas empresariais mediante a Cédula Mipymes e supervisionar as taxas e condições dos créditos de consumo.
• Ao Governo Nacional e ao Viceministério de Mipymes: Desembolsar de maneira direta e prioritária os recursos do Fonamipymes (Decreto N° 5270/2026) e fundos de cooperação internacional rumo às microempresas para evitar sua retenção em intermediários.
A conclusão do comunicado é clara: "As leis estão escritas, os prazos venceram e a paciência do setor varejista esgotou-se". Os lojistas, aponta, continuam abrindo seus negócios diariamente para garantir o abastecimento de alimentos em todo o país. "Exigimos o cumprimento imediato da lei e políticas públicas reais para a microeconomia", conclui a nota.
A AMP representa o setor que sustenta a economia de bairro e o acesso cotidiano a produtos básicos no Paraguai.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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