Governo de Lula pede que o Supremo derrube lei que reduz penas a golpistas
A solicitação foi apresentada ante o Supremo Tribunal Federal pela Abogacía General da União (AGU), que atua em representação do Executivo, no marco das ações que questionam a constitucionalidade da denominada Lei de Dosimetria, promulgada neste mês pelo Congresso.
No dia 9 de maio passado a máxima corte suspendeu provisoriamente a aplicação da lei que prevê reduções das penas dos condenados pelos atos golpistas contra Lula, incluindo a do ex-chefe de Estado Jair Bolsonaro, que cumpre em regime domiciliar sua condenação a 27 anos e 3 meses de prisão.
O tribunal considera que a chamada lei não pode ser aplicada até que o plenário da Corte Suprema se pronuncie sobre as diferentes denúncias apresentadas por partidos políticos de esquerda e que questionam a constitucionalidade da medida, e por isso solicitou pareceres tanto da AGU quanto do Ministério Público.
Em seu parecer, a abogacía do Governo sustentou que a norma esvazia de forma injustificada a resposta penal frente a delitos contra o Estado democrático de direito e advertiu que pode incentivar novas condutas contra a ordem constitucional.
Segundo o órgão, a redução drástica das sanções deixa "em situação de vulnerabilidade" bens jurídicos essenciais da República.
A norma questionada beneficia principalmente a condenados pelo assalto às sedes dos três poderes em Brasília do 8 de janeiro de 2023, quando milhares de bolsonaristas invadiram as sedes do Congresso, da Presidência e da Corte Suprema uma semana depois da posse de Lula.
A lei impede a acumulação de penas por delitos de natureza semelhante e flexibiliza a progressão ao regime semiaberto, o que, segundo seus críticos, pode reduzir significativamente o tempo efetivo de prisão dos condenados.
A AGU também questionou aspectos formais da tramitação legislativa, ao alegar irregularidades na análise do veto presidencial e modificações substanciais que, segundo sua interpretação, teriam exigido uma nova revisão pela Câmara de Deputados.
O Congresso, por sua vez, defendeu ante o Supremo a constitucionalidade da lei e argumentou que a norma reflete uma decisão legítima do Poder Legislativo em matéria de política criminal.
A respectiva lei foi aprovada em dezembro passado pelo Congresso e Lula chegou a vetá-la, mas a Câmara de Deputados e o Senado deixaram sem efeito o veto presidencial, portanto o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, promulgou a norma no início de maio.
A redução das condenações foi promulgada a apenas cinco meses das eleições nas quais Lula tentará seu quarto mandato e nas quais seu principal rival será o senador Flávio Bolsonaro, filho maior do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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