Quarta, 20 de Maio de 2026
ÚLTIMA HORA
Bem-vindo ao ParaguaiNews — as notícias do Paraguai agora em português Bem-vindo ao ParaguaiNews — as notícias do Paraguai agora em português
Política

"Gasolina basura" e outros 3 motivos que explicam os crescentes protestos na Bolívia que o governo atribui a Evo Morales e seu entorno

19/05/2026 23:00 3 min lectura 9 visualizações
"Gasolina basura" y otros 3 motivos que explican las crecientes protestas en Bolivia que el gobierno atribuye a Evo Morales y su entorno

Fogueiras, petardos e pichações contra o presidente Rodrigo Paz foram vistos nesta segunda-feira na Plaza Murillo, em La Paz, onde se encontram as principais sedes do governo da Bolívia.

Seis meses após sua posse, Paz enfrenta duras protestas impulsadas por distintos setores com diversos reclamos que demandam ao governo uma mudança no rumo político.

Os setores mais críticos, entre os quais se encontram os campesinos e trabalhadores que integram as organizações sociais afins ao ex-presidente Evo Morales (2006-2019), pedem inclusive a renúncia de Paz.

O governo diz que Morales está por trás dos distúrbios, algo que o ex-presidente nega.

Morales foi declarado em rebeldia por um tribunal no passado 11 de maio, depois que o líder social decidiu não se apresentar no início de um julgamento contra ele por presumida trata agravada de pessoas.

A convulsão social, que começou há mais de três semanas com bloqueios de rotas, derivou em um bloqueio que afeta o dia a dia de grande parte dos bolivianos que sentem a falta de alimentos, combustível e medicamentos.

"O presidente é teimoso, não quer ouvir nada, o povo está furioso", diz à BBC Mundo Eddy, um motorista de automóvel particular que trabalha percorrendo La Paz e que está descontente com Rodrigo Paz, a quem votou na última eleição.

Os protestos escondem um profundo descontentamento com Paz entre aqueles que votaram pelo presidente, mas sentem que em seu primeiro tramo de mandato não está respondendo a seus reclamos.

"A novidade é que se trata de uma mobilização multissetorial que adota uma posição abertamente destituinte, que já não se reduz à satisfação de demandas concretas, mas ao pedido de renúncia do presidente", diz à BBC Mundo a politóloga Luciana Jáuregui.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos descreveu a situação que atravessa o país como uma "crise humanitária" e qualificou os protestos de "ações destinadas a desestabilizar o governo democraticamente eleito de Rodrigo Paz".

Argentina enviou um avião militar da Força Aérea "para a realização de pontes aéreas para o transporte de alimentos", enquanto o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, descreveu a situação como uma "insurreição popular".

Então, quais são os motivos dos protestos cada vez mais amplos da Bolívia?

Os protestos começaram no final de abril, depois que o presidente Paz anunciou uma reforma agrária destinada a transformar pequenas propriedades rurais em médias.

A lei 1720 autorizava o Instituto Nacional de Reforma Agrária a converter uma pequena propriedade rural em média propriedade, desde que o titular o solicitasse de maneira voluntária.

De acordo com o governo, o objetivo da medida era habilitar aos proprietários de pequenos terrenos rurais a usá-los como garantia para poder acessar ao crédito e assim reativar o investimento.

Entretanto, distintos setores campesinos interpretaram a medida como uma tentativa de promover a venda de terras destinadas à agricultura a favor dos grandes proprietários de terras.

A Federação de Campesinos Túpac Katari, com apoio da Central Obrera Boliviana (COB), que é a central sindical mais grande do país, bloquearam as principais rotas em mais de 30 pontos conseguindo paralisar o país.

"As estradas estão todas bloqueadas. O povo está muito furioso", insiste o motorista Eddy.

Em resposta aos reclamos, o presidente eliminou a iniciativa no passado jueves.

"Já não existe, acabou-se essa lei", sustentou Paz em um vídeo difundido pela presidência.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.

Comentários (0)

Entre con Google para comentar.