Frio extremo expõe o drama de pessoas que vivem nas ruas em CDE
O frio que se instalou em Ciudad del Este nos últimos dias não apenas modificou a rotina da população, mas também voltou a expor com crudeza a realidade de dezenas de pessoas que sobrevivem nas ruas, enfrentando temperaturas extremas, fome, abandono e problemas de dependência química.
Enquanto a cidadania busca refúgio em suas casas durante as noites mais frias do ano, cerca de 120 pessoas continuam vivendo ao relento em distintos setores da capital departamental, segundo dados manejados pela Municipalidade de Ciudad del Este. Muitos deles deambulam por avenidas, praças, galerias e espaços públicos do microcentro, utilizando papelões, cobertores velhos ou tetos improvisados para se proteger do vento gélido.
A maioria carrega histórias marcadas pela ruptura familiar, desemprego, consumo de drogas e anos de exclusão social. Alguns chegaram de outros distritos buscando oportunidades laborais que nunca apareceram; outros terminaram presos à miséria depois de perder contato com seus familiares ou cair em dependências. Diante deste cenário, a Comuna intensificou nos últimos dias os operativos de assistência social noturna, com percursos diários que buscam levar abrigo e alimentação às pessoas mais vulneráveis.
As tarefas são realizadas por funcionários municipais entre as 18:00 e as 21:00, horário em que a temperatura começa a descer com maior intensidade. Os equipes percorrem setores considerados críticos pela alta presença de pessoas em situação de rua.
O operativo abrange várias avenidas do microcentro, a zona baixa comercial, imediações do ex Aeroporto Alejo García, o bairro Juan Emilio O'Leary, Área 2, bairro San Miguel, o Mercado de Abasto Municipal do bairro Obrero e o quilômetro 1½ da avenida San Blas.
Em cada ponto, os trabalhadores municipais distribuem mantas, casacos, alimentos assados e caldo quente, tentando oferecer pelo menos um alívio momentâneo para quem passa as noites enfrentando temperaturas extremamente baixas.
Durante os percursos, os funcionários encontram realidades complexas. Alguns jovens sobrevivem realizando pequenos trabalhos informais ou pedindo ajuda em semáforos, enquanto outros permanecem sob efeitos de substâncias entorpecentes. Também existem adultos maiores que vivem completamente sós e sem nenhum tipo de apoio familiar.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.