Factoragem para construtoras: expectativa de regulamentação
A indústria construtora paraguaia mantém a expectativa em torno da regulamentação do factoragem, um instrumento financeiro que poderia aliviar significativamente a pressão de pagamentos pendentes que o Estado mantém com empresas contratistas do país.
Desde os sindicatos do setor advertem que, apesar dos desembolsos realizados pelo Executivo nos últimos meses, a mora acumulada continua sendo considerável e afeta diretamente a liquidez das firmas construtoras. Segundo dados do setor, o fluxo mensal de certificados de obras oscila entre USD 50 milhões e USD 60 milhões, o que significa que grande parte dos recursos anunciados se absorve em novos compromissos antes que na redução da dívida histórica.
Magnitude da dívida pendente
As empresas construtoras mantêm reclamos por aproximadamente USD 350 milhões em pagamentos pendentes. A esta cifra se somam juros gerados pelos atrasos nos pagamentos, estimados em uns USD 110 milhões adicionais. Esta situação obriga muitas firmas a se financiarem com créditos privados para continuar com suas obras, cumprir compromissos com fornecedores e manter suas folhas de pagamento.
Como funcionaria o factoragem?
O mecanismo proposto permitiria que bancos e entidades financeiras adquiram certificados de obras pendentes de cobrança. A diferença fundamental é que os custos financeiros não recairiam sobre as construtoras, mas que seriam assumidos diretamente pelo Estado.
As negociações técnicas atualmente lideradas pelo Ministério da Economia e Finanças incluem representantes da banca privada, do Banco Central do Paraguai, da Advocacia do Tesouro e assessores jurídicos dos sindicatos empresariais. Estes espaços permitiram discutir os detalhes operativos e as responsabilidades fiscais do instrumento.
Uma solução parcial
Entretanto, desde os sindicatos esclarecem que o factoragem será uma ferramenta de alívio temporal e não uma solução definitiva ao problema estrutural de financiamento público em obras. O limite fiscal de 1,5% do produto interno bruto restringe fortemente a capacidade de investimento estatal, especialmente em projetos de infraestrutura que requerem desembolsos significativos.
O setor espera que a regulamentação se complete nos próximos meses para começar a implementar este mecanismo e recuperar parte dos fluxos de caixa comprometidos.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do EstateNews Paraguay.
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