EUA se beneficia da estabilidade na América Latina, que se produz mediante o desenvolvimento e as classes médias. Deveria promover isso em lugar de intervenções
O jornalista e escritor estadunidense Stephen Kinzer ministra um curso na Universidade de Brown que leva por título: "História das intervenções estadunidenses". Dura um semestre porque a longa lista de derrocadas de países estrangeiros levada a cabo pela primeira potência do mundo remonta a 1893.
Kinzer foi correspondente do jornal The New York Times durante mais de 20 anos. Nesse tempo cobriu conflitos e revoluções em dezenas de países: Nicarágua, Guatemala, Alemanha, Turquia ou Irã, entre outros.
De sua experiência em primeira mão saíram livros como "Fruto amargo: A história nunca contada do golpe estadunidense na Guatemala", que descreve o derrocada pela CIA do presidente progressista Jacobo Árbenz; ou "Sangue de irmãos: Vida e guerra na Nicarágua", parte história e parte reportagem de guerra.
Segundo Stephen Kinzer, Estados Unidos derrubou ou desestabilizou governos estrangeiros 14 vezes nos 110 anos transcorridos entre o golpe de Estado de 1893 no Havaí e a ocupação do Iraque. Esses casos fazem parte de seu livro mais aclamado, "Overthrow".
Suas obras repassam como as intervenções de décadas atrás têm consequências diretas em crises atuais: o caos no Oriente Médio, a instabilidade na América Latina, o antinorteamericanismo no Irã, etc.
Em um momento em que o intervencionismo de Estados Unidos volta com força à cena global, Kinzer participa com várias palestras no festival Centroamérica Cuenta que se celebra no Panamá entre 18 e 23 de maio.
O especialista avisa que o ocorrido na Venezuela com a captura de Nicolás Maduro colocou em alerta outros países da região como Colômbia, Cuba e México.
Ainda existe uma sensação de choque entre os venezuelanos que pensavam que Estados Unidos ia não apenas derrocar Maduro, mas também mudar o governo. Era muito ingênuo pensar que as coisas iam mudar?
Se analisamos a história das intervenções estadunidenses, particularmente na América Latina, não há muitos casos em que se derrube uma ditadura e se instaure em seu lugar uma democracia.
De fato, costuma ocorrer o contrário, seja na Guatemala na década de 1950, no Chile na de 1970 ou em outros países. O mais comum é que Estados Unidos intervenha de forma encoberta para derrocar democracias e dar lugar a ditaduras.
O que mudou na operação na Venezuela é que caiu a máscara. Já não se disfarçam as intervenções estadunidenses como um apoio à democracia. No passado houve que agir clandestinamente para fingir. Agora, na era Trump, já não se dissimula o verdadeiro propósito. Estados Unidos persegue agora abertamente seus interesses petroleiros.
Em 1973, ninguém em Estados Unidos queria dizer que tínhamos intervenido no Chile para defender o direito das multinacionais a operar livremente no mundo. Mas agora não nos importa dizer isso. Trump disse muito claramente que quer petróleo venezuelano.
Espero que não haja muita gente na Venezuela que realmente esperasse que Estados Unidos antepusesse a democracia para os venezuelanos ao petróleo para os estadunidenses. Se alguém acreditou, acho que já se deu conta de seu erro.
O que Estados Unidos quer fazer na América Latina é manter os governos em seus postos, mas exercer um direito de veto sobre qualquer decisão do país.
Existe um padrão comum nas intervenções de Estados Unidos em outros países? Quais são os elementos comuns?
Sim, existe. Nem todas as intervenções seguem o mesmo padrão...
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.