É uma causa perdida, um parceiro terrível na OTAN": Trump ataca Espanha e ameaça romper relações comerciais
O presidente dos EUA critica duramente o país durante cúpula da OTAN em Ankara
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aproveitou a cúpula da OTAN em Ankara para novamente atacar a Espanha, país membro da aliança.
Trump declarou nesta quarta-feira que deseja cortar todas as relações comerciais com a Espanha, país que classificou como uma "causa perdida" e "um parceiro terrível na OTAN".
"A Espanha é um aliado terrível na OTAN. Não participa, não paga. Não quero ter nada a ver com a Espanha. Cortem todo o comércio com a Espanha, por favor, incluindo as visitas. Não queremos ter nada a ver com eles", afirmou o líder estadounidense durante seu pronunciamento ao lado do secretário-geral da aliança atlântica, Mark Rutte.
Acrescentou que as autoridades espanholas "são gente má, porque, como sabem, todos os demais estão pagando e trabalhando (...) Há alguns países a mais, mas especialmente a Espanha. Dizem abertamente, são hostis".
A crítica de Trump se refere, em primeiro lugar, à recusa do governo de Pedro Sánchez de elevar os gastos em defesa até 5% do PIB, o objetivo impulsionado por Trump para todos os membros da OTAN.
Além disso, o presidente estadounidense expressou em várias ocasiões seu descontentamento com a Espanha por não ter autorizado o uso das bases militares de Morón e Rota para operações da recente guerra dos EUA contra o Irã.
Em resposta, o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, anunciou que manteve uma conversa informal com seu homólogo dos EUA e que as relações entre ambos os países continuam sendo "muito positivas".
"Conversamos sobre a Copa do Mundo... não houve nenhuma tensão; ao contrário, tudo foi muito cordial", afirmou Sánchez.
Acrescentou que as autoridades espanholas recebem "com calma e paciência" as declarações do presidente dos Estados Unidos, e também aludiu à sua ameaça de cortar o comércio.
"A Espanha sofre um déficit comercial com os EUA", alegou o chefe de governo espanhol, sugerindo que uma ruptura nos intercâmbios entre ambos os países prejudicaria mais a parte estadounidense.
As exportações da Espanha para os EUA representam apenas 0,8% de seu PIB, abaixo da média de 3% da UE.
Além disso, o presidente espanhol lembrou que as relações comerciais de seu país são administradas dentro da União Europeia, portanto Washington não poderia a priori vetar os intercâmbios com apenas um dos países do bloco.
Pedro Sánchez também assegurou defender "as decisões soberanas acordadas com a OTAN" e alegou que a Espanha "cumpriu com louvor" nos investimentos militares.
Em 2025, a Espanha elevou seus gastos em defesa até 2% do PIB, cumprindo pela primeira vez o objetivo estabelecido pela OTAN em 2014.
Porém, o governo recusou-se a assumir o novo compromisso da aliança de destinar 5% do PIB à defesa até 2035 e sustenta que com um investimento equivalente a 2,1% pode cumprir as capacidades militares que a organização exige.
Já em março, Trump lançou a mesma ameaça de suspender as relações comerciais utilizando termos muito similares.
Sánchez respondeu então reafirmando sua postura de "não à guerra", quando o conflito com o Irã estava em seu apogeu.
Posteriormente não houve mudanças no comércio e no ano passado os EUA registraram um superávit comercial com relação à Espanha.
Segundo cifras do Congresso estadounidense, o comércio bilateral atingiu um valor de US$75.000 milhões em 2025 e o superávit para os EUA foi de US$3.000 milhões.
A UE expressou seu apoio à postura da Espanha.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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