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Tecnologia

Descobrem o mecanismo biológico que permite às pombas se orientarem magneticamente

Pesquisadores alemães identificam células do fígado que funcionam como bússola interna

30/05/2026 19:45 3 min lectura 34 visualizações
Descubren el mecanismo biológico que permite a las palomas orientarse magnéticamente

Um achado científico sobre a orientação animal

Uma equipe de pesquisadores alemães identificou o mecanismo biológico mediante o qual as pombas se orientam utilizando o campo magnético terrestre. A descoberta, publicada na revista Science, revela que células imunitárias do fígado chamadas macrófagos funcionam como uma bússola interna nessas aves.

As células magnéticas do fígado

Os macrófagos são células especializadas que decompõem os glóbulos vermelhos velhos no fígado. Durante esse processo metabólico, acumulam ferro que se cristaliza em nanopartículas de óxido, conferindo a essas células propriedades quânticas que lhes permitem detectar o magnetismo terrestre.

Segundo explica Christian Kurts, diretor do Instituto de Medicina Molecular e Imunologia do Hospital Universitário de Bonn, "foi toda uma surpresa comprovar que essas células imunitárias atuam como sensores de campos magnéticos. Nossos resultados revelam um mecanismo até então desconhecido para a percepção magnética nos animais".

Investigação que resolveu um mistério científico

Os cientistas sabem há décadas que as aves migratórias e as pombas-correio se guiam parcialmente pelo campo magnético terrestre, mas o mecanismo exato permanecia sem explicação. Teorias anteriores sugeriam que a detecção poderia ocorrer nos olhos ou no bico, mas nenhuma havia proporcionado evidência convincente.

Para identificar onde se encontram as células magnéticas, os pesquisadores utilizaram técnicas de magnetometria de amostra vibrante e separação de células magnéticas. Examinaram múltiplos órgãos incluindo olhos, bico, cérebro, fígado e baço.

O fígado: o órgão magnético por excelência

De todos os tecidos examinados, o fígado apresentou a maior concentração de ferro. Como aponta Ulf Wiedwald, pesquisador da Universidade de Duisburg-Essen, "a resposta magnética mais forte está no tecido hepático. O ferro se cristaliza em nanopartículas de óxido, o que torna as células reativas aos campos magnéticos".

Experimentos com pombas treinadas

A equipe de pesquisadores realizou experimentos com pombas que haviam sido treinadas para regressar desde distâncias superiores a 20 quilômetros até seu pombal. Os resultados foram conclusivos: as pombas sem macrófagos hepáticos intactos perderam totalmente seu sentido de orientação em dias nublados.

Interessantemente, quando o sol era visível, essas pombas conseguiam se orientar utilizando sinais solares como referência alternativa, o que demonstra que os macrófagos magnéticos são essenciais quando outros sinais visuais não estão disponíveis.

Comunicação entre células e cérebro

A microscopia eletrônica revelou que os macrófagos ricos em ferro se encontram perto de fibras nervosas, o que proporciona a via mediante a qual a informação magnética é transmitida ao cérebro para guiar o movimento do animal.

"Esses achados proporcionam a primeira evidência científica concreta de como o campo magnético da Terra pode ser percebido dentro do corpo e transmitido ao cérebro para guiar o movimento", aponta Clivia Lisowski, pesquisadora do Hospital Universitário de Bonn.

Integração de processos biológicos conhecidos

O estudo demonstra como processos biológicos conhecidos, como o metabolismo do ferro e a comunicação entre os sistemas imunitário e nervoso, trabalham em conjunto para criar um sistema de navegação natural nas aves. Essa descoberta amplia a compreensão sobre como os animais interagem com seu entorno geomagnético.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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