Deplorável abandono do Chaco por parte de instituições do Estado
Comunidades isoladas enfrentam crise permanente de falta de infraestrutura e serviços públicos
Passaram 91 anos do final da Guerra do Chaco, e apesar das décadas transcorridas, continuam vigentes as canções que eternizam as façanhas, o heroísmo e a bravura do soldado guarani naquela contenda entre Paraguai e Bolívia. Uma das mais célebres, por sua conotação patriótica, é, sem dúvida, 13 Tuyutí, de Emiliano R. Fernández, com música de Ramón Vargas Colmán. A ouviremos emocionados nesta época em que se celebrará a Copa do Mundo de Futebol, competição na qual nossa Albirroja estará presente depois de 16 anos de ausência.
Lamentavelmente, aquele território defendido com milhares de vidas paraguaias permanece até hoje esquecido pelas autoridades do país, e os pobladores e as comunidades isoladas, sem estradas e sem serviços públicos, representam uma parte de uma realidade dissociada na qual o hino 13 Tuyutí está completamente desvinculado daquele território ignorado pelo mesmo Estado, apesar de que o Fortín Nanawa, a muralha viva, esteja localizado no Chaco.
Nestes dias, precisamente no Alto Paraguai, os pobladores devem aplicar todo seu engenho para tornar novamente transitáveis seus caminhos. Ante a falta de respostas das entidades oficiais, um grupo autodenominado "Metiche" faz o possível para drenar setores críticos e permitir a circulação.
Como explica o vereador departamental Leonardo Lezcano, o grupo é integrado por pobladores que sempre colaboraram na recuperação dos caminhos. "São as únicas pessoas que saem para trabalhar quando ocorre esta situação e permitem que haja circulação nas rotas".
Devido às chuvas neste mês de maio, os distritos de Fuerte Olimpo, Puerto Casado e Bahía Negra estão atravessando outra grave crise de isolamento pela falta de estradas de todo tempo. Segundo o vereador Lezcano, as comunidades já estão há quase um mês incomunicadas.
Um duro questionamento faz referência a que não foram realizados a tempo os trabalhos de manutenção viária por parte do Ministério de Obras e, de acordo com o vereador, existiam licitações adjudicadas para intervir o trecho a partir do quilômetro 65 em direção ao Norte do departamento. Acrescentou que duas empresas foram adjudicadas para executar trabalhos por cerca de G. 17.000 milhões, mas apenas uma ingressou efetivamente na zona e iniciou as obras.
Assim fica claro que a única conexão possível para as comunidades é a via aérea, que tem um alto custo e por isso não é viável para a maioria dos pobladores. Por terra é impossível a circulação; apenas é possível viajar entre algumas comunidades e requerem-se veículos 4x4.
Entre os mais afetados por esta situação de abandono encontram-se as comunidades indígenas San Carlos, Hugua Chini e Mbokajaty, onde aproximadamente 500 famílias sobrevivem entre caminhos alagados, habitações inundadas e escassez de alimentos.
De acordo com a denúncia dos líderes, não receberam assistência por parte do Estado apesar dos pedidos reiterados realizados à Secretaria de Emergência Nacional. Frente a esta situação, recentemente pobladores fizeram um chamado urgente e desesperado ao ministro de Emergência Nacional, exigindo ajuda urgente para as famílias afetadas.
A água deixou completamente isoladas estas comunidades, deixou inúteis os acessos terrestres, tornando difícil a chegada de alimentos, medicamentos e água potável. Esta é, sem dúvida, uma grave crise que está colocando em risco sanitário crianças e adultos maiores, pela prolongada exposição a condições extremas.
Esta nova emergência que está vivendo o Chaco é, lamentavelmente, algo que sucede de forma permanente, já que as autoridades do Governo Central, a governadoria e municípios apenas lhes oferecem soluções paliativas, mas as comunidades do Chaco, estas famílias têm direito, como todos os paraguaios e paraguaias, a viver com dignidade e que as instituições lhes provejam saúde e educação.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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