Consumo mundial de vinho registra queda significativa em 2025
Queda global no setor vinícola
A Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV) apresentou seu relatório anual refletindo uma contração significativa no comércio internacional de vinhos. As exportações registraram uma diminuição de 4,7% em volume, totalizando 94,8 milhões de hectolitros, enquanto o valor caiu 6,6% para 33.800 milhões de euros.
O consumo global situou-se em 208 milhões de hectolitros, representando uma redução de 14% em relação a 2018. Este nível marca o mais baixo em aproximadamente sete décadas.
Fatores que impactam o mercado
Segundo o relatório, a contração do mercado responde a múltiplos fatores. Entre os principais destacam-se as tarifas implementadas em vinhos importados, a redução de demanda nos principais mercados consumidores e flutuações nas cotações de divisas.
Como consequência, o preço médio dos vinhos exportados diminuiu 2,1%, alcançando 3,56 euros por litro. Este ajuste reflete tanto pressões inflacionárias como uma maior competência entre exportadores.
Mercados principais com variações
Nove dos dez principais mercados experimentaram descensos. Estados Unidos, principal mercado consumidor, registrou uma queda de 4,3% para 31,9 milhões de hectolitros. Apesar disso, manteve-se como o maior importador por valor, com 5.500 milhões de euros, embora com retrocesso de 11,6%.
Na Europa, observaram-se reduções notáveis: França (-3,2%), Itália (-9,4%), Alemanha (-4,3%), Reino Unido (-2,4%), Espanha (-5,2%) e Rússia (-5,5%). China também experimentou uma queda importante de 13% no consumo, continuando uma tendência de contração que iniciou em 2018.
Impacto regional na América do Sul
Argentina registrou uma leve diminuição de produção de 1% para 10,8 milhões de hectolitros, mas suas exportações caíram mais pronunciadamente (6,8% em volume e 10,3% em valor).
Chile experimentou uma contração mais severa, com produção reduzida para 8,4 milhões de hectolitros (-9,9%), nível mais baixo desde 2007. Esta queda responde à persistente escassez de água, variabilidade climática e deterioração dos mercados de exportação. As vendas externas diminuíram 9% em volume para 7,1 milhões de hectolitros.
Em contraste, Brasil apresentou um desempenho excepcional com produção que aumentou 80,6% para 2,8 milhões de hectolitros graças a condições climáticas favoráveis. O consumo brasileiro disparou 41,9%, alcançando um máximo histórico de 4,4 milhões de hectolitros.
Produção mundial e líderes europeus
A produção mundial experimentou uma ligeira recuperação de 0,6% para 227 milhões de hectolitros em 2025, recuperando-se parcialmente do mínimo histórico do ano anterior.
Espanha, terceiro produtor mundial, experimentou uma contração de 7,7% para 28,7 milhões de hectolitros, afetada por seca e ondas de calor que reduziram rendimentos no terceiro ano consecutivo. Suas exportações caíram 2,2% em volume e 3,9% em valor.
Itália registrou um leve aumento de 0,7% em produção para 44,4 milhões de hectolitros, enquanto França manteve estável sua produção em 36,1 milhões de hectolitros, embora 16% abaixo de sua média quinquenal.
França posicionou-se como líder em valor de exportações com 11.200 milhões de euros, apresentando descensos de 3,2% em valor e 2,3% em volume para 12,5 milhões de hectolitros.
Perspectivas do setor
Portugal foi uma exceção positiva na Europa, registrando um incremento de consumo de 5,6%, demonstrando resiliência em seu mercado.
O relatório da OIV reflete um setor enfrentando desafios significativos derivados de fatores comerciais, climáticos e de demanda, requerendo adaptação contínua de produtores.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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