Compra irregular do IPS: Sugeriram que bolsas para ostomia não se limitaria a crianças
O ex-conselheiro do Instituto de Previsão Social (IPS) Carlos Pereira, em contato com a rádio Monumental 1080 AM, conversou nesta terça-feira sobre as 25 mil bolsas de ostomia pediátrica que adquiriu a previdencial, consideradas desproporcionais, já que apenas 10 crianças as necessitam.
Pereira continuou mencionando que se trata de uma licitação de 2023 e que, entre ajustes, protestos e requerimentos, terminou de ser adjudicada em 2025.
"Os distintos gerentes que participam e interagem em uma licitação nascem nos mesmos serviços médicos. Ali é onde se acopiam as necessidades mínimas que se têm para insumos, medicamentos ou instrumental médico", continuou explicando.
Posteriormente, faz-se um inventário e isso é recolhido pela Gerência de Saúde e pela Gerência de Abastecimento e Logística, que é a que administra e também é responsável pela execução dos contratos.
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"Eu era o único que não tinha assessor médico. Me respaldava muito nas explicações que davam os médicos, aos quais se lhes convocava para explicar e, particularmente, eu fiz uma consulta pontual porque não sabia qual era a diferença entre a bolsa de ostomia, se se utilizava uma única vez ou se eram apenas ostomias pediátricas", recordou.
Continuou sinalizando que em um relatório explicava que as bolsas não eram apenas pediátricas, mas que também poderiam ser utilizadas por adultos e pacientes geriátricos.
"O relatório que me leram naquela vez explicava que não eram apenas bolsas pediátricas, mas que eram bolsas de ostomia de nutrição parenteral, que não apenas utilizavam pediátricos, adultos, mas também os geriátricos", acrescentou.
Pereira manifestou que investigando tudo isso se poderá corroborar quais são os critérios técnicos legais que foram analisados e sobre qual tipo de procedimentos se estabeleceram estas normas e por que demoraram dois anos.
🔴 Presidente do IPS investiga aquisição de 25 mil bolsas de ostomia para apenas 10 crianças
🔸 Carlos Pereira, ex-conselheiro do IPS, recorda quando foi licitado e detalha a respeito.
👉🏼 "Não era apenas para pediatria. Usam adultos e geriátricos (...) Dosifica-se de acordo com a... pic.twitter.com/2ZJbraukAX
"Eu celebro que isso seja investigado porque era uma das preocupações que sempre tive. No edital se coloca genericamente o nome de pediátrico, mas esse nome do edital não limita o uso (das bolsas)", continuou.
Acrescentou que as bolsas se dosificam de acordo com a necessidade. Se não são entregues ou não são utilizadas, por conseguinte, não são pagas. "As bolsas se usam três a quatro por dia, em menos de um ano se utiliza tudo", explicou.
O presidente do IPS, Isaías Fretes, informou na última segunda-feira que se iniciou uma investigação interna após detectar-se a compra irregular de bolsas para ostomia pediátrica em quantidades muito superiores à necessidade real do sistema.
Atualmente, há mais de 21 mil bolsas pediátricas de um tipo e cerca de 96 mil de outro, muitas das quais não poderão ser utilizadas. Estes insumos vencem em três anos.
Fretes explicou além disso em coletiva de imprensa que um paciente necessita uma média de quatro bolsas por semana, enquanto que no caso de adultos estes insumos contam com características específicas, como filtros anti-odor.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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