Como a família Andic construiu o império da moda Mango e qual poder tem Jonathan, o herdeiro acusado da morte do pai
Tudo começou com umas blusas bordadas e com a visita de um marinheiro que queria vendê-las.
A casa da família Andic em Barcelona recebeu a visita de um marinheiro que trabalhava em um navio que a cada duas semanas fazia o trajeto entre Istambul e a cidade catalã, e estava interessado em levar mercadoria que pudesse ser vendida na Espanha e trazer de volta outros produtos para a Turquia.
Foi desse país que emigrou para a Espanha o casal formado por Manuel Andic e Sol Ermay no final dos anos 60, fugindo da instabilidade e da crise econômica que reinava após um golpe de Estado militar.
Manuel Andic, que havia dedicado sua vida à importação de material elétrico, não estava interessado nas blusas, mas seu filho menor, Isak, viu o potencial.
O adolescente, que chegou à Espanha com 14 anos, estava matriculado na única escola que podia convalidar os estudos que havia realizado na Turquia, o Instituto de Estudios Norteamericanos.
Lá, rodeado pelos filhos de expatriados estadunidenses que viviam em Barcelona, conheceu a cultura hippy, onde os tamancos, as calças boca de sino e, especialmente, as vaporosas camisas de algodão de Sile bordadas desencadeavam paixão.
Comprou as blusas ao marinheiro por 250 pesetas (US$ 1,75) para revendê-las pelo dobro em lojas da capital catalã, e pediu-lhe que trouxesse mais cada vez que aportasse em Barcelona.
Isak viu o produto, o nicho de mercado e tinha diante de si um fornecedor internacional: havia nascido o germe de Mango.
A companhia é hoje um dos maiores impérios internacionais da moda.
Conta com mais de 2.900 lojas em 120 países e emprega mais de 16.000 pessoas, mas apesar de seu tamanho, mantém-se como uma empresa familiar.
Seu fundador, Isak Andic, o homem que teve a visão e que presidiu a companhia durante mais de 40 anos, morreu em 14 de dezembro de 2024 ao cair de um precipício quando passeava pela montanha com seu filho Jonathan, que em algum momento foi considerado como o delfim do império.
Esse filho foi agora acusado do homicídio de seu pai.
Segundo a juíza que instrui o caso, os homens tinham uma má relação devido à obsessão do filho com o dinheiro, segundo a análise das conversas de seu telefone celular e do testemunho de vários testemunhas.
Isak Andic começou com as blusas, mas não parou por aí.
Juntamente com o apoio de seu irmão mais velho, Nahman, decidiu expandir o negócio, e às camisas somaram depois tamancos, complementos e até bonitos casacos afegãos bordados à mão.
Já não vendiam seus produtos a lojas de Barcelona, mas abriram seu próprio espaço no mercadinho da rua Balmes na cidade catalã.
Nesse espaço, que buscava replicar os mercados de Londres que se haviam convertido em centros de cultura underground, podiam ser comprados desde discos de importação até camisolas indianas, artesanato ou patchuli, e os produtos de Andic se encaixavam perfeitamente.
O jovem empreendedor chegou a ter três lojas lá, Isak I, II e III, que gerenciava ele mesmo, mas para as quais contava com o apoio de Nahman e também de seu amigo Isak Halfon.
Halfon pertencia, como ele, a uma família de origem judaica sefardita de classe média que também havia emigrado da Turquia.
Ambos foram colegas no Instituto de Estudios Norteamericanos, onde o pai de Halfon havia conseguido que reduzissem as taxas em troca de matricular os dois rapazes.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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