Câmara dos Deputados aprova pedido de informe à CGR sobre patrimônio de Peña
Diputado Raúl Benítez denuncia crescimento patrimonial de 1.600% entre 2017 e 2023
Durante sua intervenção na sessão da Câmara Baixa, o deputado Raúl Benítez foi contundente ao apontar que o maior incremento patrimonial de Santiago Peña ocorreu entre os anos 2017 e 2023, período em que seu patrimônio registrou um salto de 1.600%. De acordo com os cálculos apresentados, o mandatário aumentou sua riqueza em uma média de G. 3.600 milhões por ano; ou seja, G. 300 milhões ao mês.
"Santiago Peña precisou de 47 anos de presidência para poder ter esse crescimento patrimonial", afirmou Benítez, comparando a cifra com os 35 anos da ditadura de Stroessner para ilustrar a magnitude do montante acumulado em apenas seis anos. O legislador criticou que enquanto o país vive uma "economia de guerra", o presidente demonstra uma "magia de finanças" que não se reflete em sua gestão.
Benítez também abordou a disparidade de critérios da CGR. Comparou o caso de Peña com o do ex-titular da Petropar Eddie Jara, a quem a Controladoria analisou o período 2017-2023. Em contraste, no caso do presidente, a instituição teria alegado não possuir faculdades ou elementos para examinar esses mesmos anos.
"Por que se dá essa diferença com o presidente da República e Eddie Jara?", perguntou e apontou que a Controladoria analisou a declaração jurada de Eddie Jara de 2023 para verificar se existe correspondência com seus rendimentos tributários declarados perante a DNIT de 2017 a 2023. "Com Peña se limita a dizer que a Controladoria não possui a faculdade para poder examinar esses anos", comparou.
A resolução aprovada solicita a cópia integral do Parecer de Correspondência Patrimonial, incluindo anexos, planilhas de trabalho e todas as notas de intercâmbio com o Executivo.
O pedido de informe também coloca sob análise uma propriedade em San Bernardino. Os legisladores solicitam documentos que respaldem pagamentos de USD 900.000 à construtora Gómez Abente, realizados por meio de extratos do ueno bank e atas do ueno holding SAECA; assim como o informe sobre o estado atual da Fase 3 do contrato com Gómez Abente de USD 300.000, registrado como passivo pendente ao 30/09/2025, e indicação da origem dos fundos utilizados para seu pagamento. Também se solicita uma constatação de se a Municipalidade de San Bernardino respondeu ou não ao ofício da CGR, e em caso negativo, qual documentação alternativa foi utilizada para verificar a regularidade da edificação de Peña.
Benítez questionou por que a Controladoria aceitou que a Municipalidade de San Bernardino não enviasse documentos sobre a propriedade, em lugar de recorrer a instâncias judiciais como se fez em outros casos. Além disso, apontou como "notável" que o banco vinculado ao presidente seja aquele que conceda os empréstimos e que ainda figure uma dívida de USD 300.000 por uma casa que Peña possui há anos.
O pedido de informe estabelece um prazo de 15 dias úteis para que a CGR remeta a documentação solicitada em formato digital. "Esse trabalho da Controladoria não pode ser sinônimo de impunidade... A Promotoria é a que tem que investigar", manifestou Benítez.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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