Bom desempenho, mas nem todos estão satisfeitos
Tampoco há que deixar de prestar atenção na dependência de fatores externos. O tipo de câmbio, os preços internacionais e o comportamento das commodities continuam marcando o ritmo da economia paraguaia. Em um país altamente aberto ao comércio, qualquer mudança nessas variáveis tem um impacto imediato na atividade interna.
Voltando ao crescimento que não é uniforme. No primeiro trimestre, há setores que impulsionam com mais força, como o comércio e alguns ramos de serviços (4,8%), que vêm apresentando maior dinamismo no início do ano. Também o setor agroexportador (7,7%) voltou a ser um dos principais motores, contribuindo para o bom desempenho geral.
Mas nem todos os setores acompanham esse ritmo. A indústria apresenta um crescimento mais moderado (3,2%). A construção também continua com um desempenho irregular, sem recuperar ainda um impulso firme. E alguns serviços mais ligados ao consumo interno avançam, mas de maneira lenta e desigual, o que reflete que o crescimento não está chegando com a mesma força a toda a economia.
Essa diferença entre setores ajuda a explicar outra sensação frequente: Os bons números macroeconômicos nem sempre se traduzem em uma melhoria clara na atividade cotidiana de empresas e famílias.
Em paralelo, o comportamento do tipo de câmbio abre um debate que volta a ganhar relevância. Durante anos sempre se quis um dólar estável e baixo. Porém, na prática, um guarani relativamente mais forte frente ao dólar não gera leituras unânimes.
Se bem beneficia importadores e pode ajudar a conter alguns preços, também afeta a competitividade dos exportadores e pode reduzir a margem da indústria local frente a produtos externos.
Nesse contexto, a discussão fica mais complexa, especialmente se se considera a intenção de aumentar o salário mínimo, o que também vai pressionar as margens das grandes e pequenas empresas.
Sem um aumento equivalente em produtividade, uma moeda forte e maiores custos laborais podem terminar afetando a rentabilidade das empresas, sobretudo nos setores mais expostos à competência internacional e naqueles com margens mais ajustadas.
Em conjunto, o primeiro quadrimestre mostra uma economia que cresce, mas de forma desigual e com tensões que começam a reaparecer em variáveis-chave. Esperemos que não apenas se possa manter o ritmo de crescimento, mas conseguir que seja mais equilibrado entre setores.
O Paraguai inicia o ano com números positivos, mas com bases que ainda apresentam fragilidades na estrutura do crescimento.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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