Áudio revela "cobrança" de cargo em Itaipú a Zacarias Irún
Conversa filtrada entre candidato a vereador e senador expõe conflitos políticos e promessas não cumpridas
Um áudio filtrado entre o candidato a vereador de Ciudad del Este Osvaldo Sánchez e o senador Javier Zacarías Irún revela reclamações internas, solicitações econômicas e questionamentos por supostos descumprimentos dentro da equipe política zacariista em Ciudad del Este.
Na conversa, Sánchez expressa sua irritação pela falta de respostas e por promessas que, segundo afirma, nunca foram cumpridas. O dirigente insiste no pagamento de cerca de "7.000" ao senador.
"A mim 7.000 não me importa, mas não quero que você me diga 'tal dia' e depois não me responda", reclama Sánchez durante o áudio.
Além disso, o dirigente aponta que desde fevereiro aguarda uma resposta sobre uma tramitação que supostamente foi "travada" por Justo Zacarías Irún para que seu irmão possa acessar um cargo em Itaipú.
Sánchez também sustenta que colaborou politicamente com a candidatura de Rocío Abed e menciona que seu apoio foi decisivo em uma eleição apertada contra o liberal Carlos Portillo.
"É uma questão que tem a ver com Rocío porque eu ajudei Rocío também. Se eu não a apoiasse, nem ia entrar como deputada, porque 300 e algo de votos apenas era a diferença com Portillo", expressa no áudio.
Sánchez se refere a uma suposta "traição" pelo apoio que o senador dá a Silvio Morel como candidato a vereador de CDE.
Por sua vez, Zacarías Irún tenta acalmar o dirigente e lhe promete respaldo político e econômico. "Use-me a mim para sua gestão", diz o senador, que promete pagar os USD 7.000 e gerenciar o cargo para seu irmão.
Osvaldo Sánchez confirmou a autenticidade do áudio vazado e sustenta que o senador lhe deve a quantia de USD 7.000 dólares de há um ano.
"Esses USD 7.000 é referente a uma conta que ele tem comigo, não é nada político. Eu sou advogado, então esses USD 7.000 é algo independente", afirmou.
O dirigente também explicou que a reclamação relacionada com seu irmão corresponde a um compromisso político assumido. Disse que o acordo surgiu depois de ter trabalhado politicamente para a candidatura da deputada Rocío Abed.
"É um compromisso que tinha que cumprir o engenheiro Lucho Zacarías porque quando a esposa dele era candidata a deputada, eles se comprometeram comigo que iam me premiar. Usam isso para me chantagear", expressou.
Sánchez apontou que seu irmão Adilio Acuña Jara deveria acessar um contrato como assessor externo, mas assegurou que a gestão ficou travada por decisão de Justo Zacarías. Indicou ainda que o contrato rondava inicialmente G. 30 milhões e depois se reduziu a G. 15 milhões.
Sánchez relatou que inclusive abandonou a equipe política de Zacarías Irún em abril. "Eu saí justamente pela traição, pelo engano, pela falta de cumprimento", indicou.
O senador Javier Zacarías Irún assegurou que Sánchez abandonou a equipe política porque "não conseguiu o que queria" e sustentou que os USD 7.000 correspondem a uma questão "pessoal" vinculada a gastos de campanha, trabalhos políticos e gestões realizadas por Sánchez, e afirmou que dito montante já foi pago.
A respeito do pedido de um contrato para seu irmão em Itaipú, Zacarías Irún negou qualquer tipo de intercâmbio político. "Essa é a prova concreta de que nosso movimento e especialmente meu irmão como diretor geral de Itaipú não se presta a situações de 'eu te dou, você me dá'", afirmou.
O senador acrescentou que nem ele nem seu irmão cedem a "chantagens nem extorsões". "Nós apoiamos e ajudamos o que podemos e o que está dentro da lei", completou.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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