ANDE analisa timing para atualização tarifária vinculada a negociações do Anexo C
Análise de implementação tarifária
A Administração Nacional de Eletricidade (ANDE) continua avaliando o momento adequado para implementar seu anunciado reajuste de tarifa. O engenheiro Félix Sosa, presidente da empresa estatal, confirmou que o Governo mantém em análise esta questão e não descarta que a atualização se concretize uma vez concluídas as negociações com Brasil sobre o novo Anexo C.
Postergar a aplicação do ajuste tarifário até resolver a revisão do documento binacional poderia representar a melhor opção para a ANDE, considerando que este ponto do Tratado de Itaipu conterá uma nova fórmula para definir o preço que a central cobrará pela energia.
Marco normativo e requisitos técnicos
No final de abril, o debate sobre uma tarifa técnica retomou importância na agenda pública. A normativa vigente estabelece que a ANDE requer alcançar uma rentabilidade de entre 8% e 10% sobre seus ativos para garantir a sustentabilidade e expandir o sistema de distribuição nacional.
O anúncio sobre uma atualização tarifária, a primeira desde 2017, gerou diferentes perspectivas. Os usuários expressaram preocupações sobre possíveis incrementos no contexto de interrupções de serviço, enquanto que referentes do setor energético assinalam que um reajuste por si só não resolverá os desafios financeiros, enfatizando a necessidade de reduzir perdas operativas.
Declarações do presidente de ANDE
Félix Sosa reconheceu que, embora a estrutura técnica exija a adequação gradual de preços começando com grandes consumidores industriais e excluindo 90% dos clientes, o resultado das negociações do Anexo C é um fator determinante.
"A tarifa final que receba o sistema será o resultado direto dessa negociação", expressou Sosa, assinalando que este valor é chave para o futuro financeiro da estatal. Acrescentou que desde o Governo se analisa "com tranquilidade" esta atualização.
Impacto potencial do Anexo C
Com a fórmula técnica final ainda em definição, a possibilidade de esperar os resultados das negociações binacionais ganha relevância. Um acordo favorável no Anexo C poderia significar injeção de receitas adicionais ou fundos para investimentos estruturais que atuem como amortecedor financeiro para a ANDE.
Desde o Ministério de Relações Exteriores foi informado que Paraguai e Brasil esperam fechar um acordo sobre o novo Anexo C no meio deste ano. Essas conversações ocorrem após o pagamento total da dívida pela construção da Central Hidrelétrica Binacional, completado em 2023.
Equilíbrio entre competitividade e investimento
Sosa afirmou que uma combinação de fatores constituiria o cenário ideal para a estatal no contexto de negociações com Brasil. "Precisamos de uma tarifa adequada para sustentar os investimentos, mas que nos permita seguir com uma das tarifas mais competitivas da região", indicou.
O presidente de ANDE enfatizou que a empresa requer uma tarifa o mais baixa possível que permita novos investimentos, considerando simultaneamente as necessidades do país quanto a gastos sociais.
Sosa também destacou que um desafio nas negociações com Brasil é que Itaipu conte com recursos suficientes para investimentos em novas fontes de geração de energia. "Tem que haver uma tarifa adequada, competitiva e, sobretudo, que permita maior geração", reforçou.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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