Air France e Airbus são condenadas por homicídio involuntário no acidente aéreo mais letal da França em 2009
Tribunal de Apelações de Paris encontra as empresas culpadas 14 anos após queda do voo AF447 no Atlântico
Air France e Airbus foram condenadas por homicídio involuntário pelo acidente aéreo de 2009 que causou a morte de 228 pessoas.
O Tribunal de Apelações de Paris condenou a companhia aérea e o fabricante de aeronaves por homicídio involuntário corporativo pelo incidente, no qual o voo AF447, que cobria a rota Rio de Janeiro-Paris, caiu no oceano Atlântico.
O avião de passageiros sofreu uma perda de sustentação durante uma tempestade e se precipitou nas águas, causando a morte de seus 216 passageiros e 12 membros da tripulação.
Um tribunal havia absolvido previamente as companhias em abril de 2023, mas foram condenadas esta quinta-feira após um julgamento de apelação de oito semanas.
Familiares de alguns dos passageiros, entre os quais se encontravam principalmente cidadãos franceses, brasileiros e alemães, se reuniram na quinta-feira para ouvir o veredicto.
Solicitou-se que as companhias pagassem a multa máxima de 225.000 euros (US$ 261.720) cada uma; porém, algumas famílias das vítimas criticaram o valor, considerando-o uma sanção simbólica.
Não obstante, a sentença pode ser considerada prejudicial para a reputação das companhias.
Durante seus alegatos finais em novembro, os promotores de justiça afirmaram que o comportamento das companhias havia sido "inaceitável", acusando-as de "dizer absurdos e inventarem argumentos".
Tanto Airbus quanto Air France negaram reiteradamente as acusações, e advogados franceses acreditam que provavelmente apresentarão novas apelações.
A BBC entrou em contato com ambas as empresas para obter comentários, mas ainda não responderam.
O Airbus A330 desapareceu dos radares durante uma tempestade em 1º de junho de 2009, e seus destroços foram encontrados após uma longa busca em 10.000 km² do fundo marinho.
A caixa preta foi encontrada após meses de busca em águas profundas em 2011.
Todos os ocupantes da aeronave morreram quando esta se chocou no mar a partir de uma altura de 11.580 metros, tornando-se o incidente mais mortal na história da aviação francesa.
O acidente resultou em uma complexa operação de recuperação em uma zona remota do oceano Atlântico, a mais de 1.127 km da costa da América do Sul.
Durante as buscas iniciais, o governo francês foi responsável pela investigação do acidente e as forças brasileiras se encarregaram da recuperação dos corpos.
Nos primeiros 26 dias de busca foram recuperados 51 corpos, muitos deles ainda presos aos assentos.
Um familiar que falou com BBC News Brasil em 2019 disse que só conseguiu enterrar os restos de seu filho mais de dois anos após o incidente.
Nelson Marinho Filho, engenheiro de 40 anos, quase perdeu o voo que partia do Aeroporto Internacional de Galeão do Rio de Janeiro e foi a última pessoa a embarcar, segundo pessoal da Air France.
As vítimas procediam de 33 países diferentes, entre elas 58 brasileiros, 61 franceses, 26 alemães, 2 estadunidenses, 5 britânicos e 3 irlandeses.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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